sexta-feira, 22 de julho de 2022

off diario manifesto

 

[alô alô convocatoria relâmpago, mesa sobre a questão Brasil (eleições, pré-golpe ? ) na França, festival de volets rouges, inicio de agosto ]
Galera do meu coração da luta,
vai ter ou não vai ter golpe ?
Mas vamo la, depois a gente xinga e monta a facção carinhosa.
Depois de alguns anos na França é massa poder falar que fui convidada para organizar uma mesa sobre Brasil, num festival FODA, centrado sobre a luta imigrante, mas não somente né, sabemos as encruzilhadas que rolam, é descolonização, é antirracismo e antisexismo. Breveeeeeeee
Por isso, tô botando essa mensagem meio pirata de ultima hora se tiver alguém com um projeto ou arte massa de resistência brasileira, posso assegurar que é uma ZAD (zona a defender). A gente tem um total de 0 euros de orçamento, mas hospedagem e talvez carona role de Paris ou Marseille (enfim gente, eu mesma vou tentar ir de carona... quem disse que a gente desiste facil ?) xD
é isso, quem tiver afim de participar, falar, chorar, dar uns gritos, mostrar sua arte, vem de mensagem e nois tenta. tô em Marseille e eu mesma não sei se vou conseguir ir haha, porém quem não chora, não mama, não é? hehe
deixando a mensagem na garrafa no mar, porque se hoje tô sendo convidada para organizar uma mesa, muita gente me abriu as portas sem me conhecer, doida doida, e quero que role com pessoas assim.
A porta ta aberta pra dar seu grito.
O festival vai ser no plateau de mille vaches, inicio de agosto.
Se não rolar, pelo menos gritei a raiva, o ranço, a imobilidade de ver um bandido destruir um lugar do tamanho do Brasil. Que vontade de voadeira com facão e guilhotina (nois descoloniza os métodos, mas usa tudo, inclusive a imaginação)...
Luta.
E vergonha de quem ainda defende esse bandido.
Foda-se.
E um beijo aos carinhosos que tão no front.

segunda-feira, 14 de março de 2022

[off diario - agradecimento publico com relato intimo]


Esse off diario é um agradecimento e uma tomada de posição. Se é para "é preciso estar atento e forte, não podemos temer a morte", face à necropolitica, o que a gente puder organizar para poder resistir, nois vai fazer. (é bem verdade que ando aprendendo na França a escola politica, e é isso mesmo, ta na hora de mobilizar juntos ideias politicas de resistência). Em homenagem a Marielle Franco.

Mas, enquanto os poderosos decidem, também comemos e também fazemos festa. Vou ser papo reto, como sempre, sexta foi uma festa dedicada à um trabalho de ajudar a campanha Mãos Solidarias no Recife. Uma noite de festa permitiu um mês de alimentação orgânica e saudavel à 250 pessoas!

Por isso, primeiro quero agradecer à Debi, Catarina e Raissa (minha chara) que me emprestaram panela pra fazer a feijoada vege. Depois agradecer aos querides voluntarios contra fronteira (italianos e por isso grazzie mille !!! ) e camaradas que moram comigo Giulia e Matteo, aos amigues Matisse, Eline e Ousman também. Quero agradecer ao boy gostoso que eu peguei no dia (vou deixar sem nome porque sabe se la ne se ele vê esse post) e que me ajudou para caralho, hehe.

Quero agradecer a Na tua Boca, Boca e Dj Muriel Has, que arrasaram criando um clima perfeito, catartico, delirium tremens, de dança e potência.

Quero agradecer à associação Cité d'Agriculture, vocês são fodas ! De acreditar no sonho que se sonha junto! Merci bocu !
A associação França América Latina, que desde Toulouse e o fatidico 2018 vem me ensinando essa vida de *res*publica, de polis.

Finalmente, quero agradecer ao publico ! Galera curtiu de lamber os beiços ! Sinto honrada e quero mesmo é abrir um boteco armazem do campo em Marseille (ieiiiii queima cabaré).

Para terminar, não sem antes se dar conta por um acaso que não é acaso, sim, hoje se completa mais um aniversario necropolitico :
QUEM MANDOU MATAR MARIELLE FRANCO ?

Facção carinhosa, em memoria de Marielle Franco !


Versão francesa mais discreta do agradecimento com as referências da mesa redonda e os links :

Après trois jours de repos, un petit post pour vous donner les références citées à la table-ronde, montrer quelques photos (d’ailleurs si vous en avez n’hésitez pas à publier!) et, surtout, vous adresser un énorme remerciement ! On a réuni 1000 euros pour le mouvement de paysans sans-terre !

Cela veut dire quoi concrètement ?

Cet événement a permis de nourrir 50 familles pendant un mois, c'est-à-dire qu'en une nuit de fête, nous avons mobilisé de la nourriture pour 250 personnes !

Merci les bénévoles, ami.e.s contre les frontières (grazzie mille !)
Merci les invité.s Cy, Alice et Domiziana de la table-ronde qui ont permis de chauffer la soirée par la pensée et la poésie!
Merci les musicien.es Dans ta Bouche, Bouche et Dj Muriel Has (https://www.instagram.com/murielhas/)
Merci Cité d’Agriculture
Merci France Amérique-Latine
Et
Merci au public chaleureux, c’était inoubliable !

Si vous voulez faire un don à la campagne Mãos Solidarias voici le lien (en portugais):
https://www.campanhamaossolidarias.org/quem-somos

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Projet Pataxó Santé
https://www.franceameriquelatine.org/falmag/
https://www.academia.edu/73656967/France_Am%C3%A9rique_Latine_Toulouse_projet_de_solidarit%C3%A9_Sant%C3%A9_Patax%C3%B3_au_Br%C3%A9sil

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Les références de la table-ronde:

Mbembe Achille, « Nécropolitique », Raisons politiques, 2006/1 (no 21), p. 29-60. DOI : 10.3917/rai.021.0029. URL : https://www.cairn.info/revue-raisons-politiques-2006-1-page-29.htm

Gloria Anzaldua
Gloria Anzaldúa, Borderlands/La Frontera: The New Mestiza, Aunt Lute Books, 1987.

Maria Lugones
Pilgramages/Peregrinajes: Theorizing Coalition against Multiple
Oppressions
. Rowman & Littlefield Publishers, 2003
« Hacia un feminismo descolonial », La manzana de la discordia, juil.-déc. 2011, vol. 6 n° 2, p. 105-119
https://decolonial.hypotheses.org/2056#:~:text=Pour%20Lugones%2C%20le%20f%C3%A9minisme%20blanc,du%20syst%C3%A8me%20de%20domination%20colonial.

hooks, bell (2001). all about love - new visions. New York: HarperCollins.
Freire (Paulo). — Pédagogie des opprimés suivi de Conscientisation et révolution, trad. du brésilien », Revue française de pédagogie, vol. 30, no 1,‎ 1975, p. 62–64 (lire en ligne [archive], consulté le 19 octobre 2021)
O. de Andrade, Manifeste anthropophage [1928], traduit du portugais (Brésil) par L.Janeiro, Paris, Blackjack éditions, 2011,


Quelques oeuvres littéraires des Premières Nations du Canada :
https://ici.radio-canada.ca/espaces-autochtones/1401975/litterature-autochtone-livre

La maison d’édition mémoire d’encrier :
mémoire d'encrier

Nous ne trahirons pas le poème, Rodney Saint-Éloi :
http://memoiredencrier.com/nous-ne-trahirons-pas-le-poeme/

Animismes. De l’Afrique aux Premières Nations, penser la décolonisation avec les écrivains. Thèse, Alice Lefilleul
https://tel.archives-ouvertes.fr/tel-02147456

***

Mouvement des Travailleurs ruraux sans terre (MST) :

Facebook:https://www.facebook.com/MovimentoSemTerra/
IG: https://www.instagram.com/movimentosemterra/

Mídia NINJA:

Facebook: https://www.facebook.com/MidiaNINJA/
IG: https://www.instagram.com/midianinja/
Twitter: https://twitter.com/MidiaNINJA


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In memoriam à Marielle Franco

Marielle Franco, https://fr.wikipedia.org/wiki/Marielle_Franco : Marielle Francisco da Silva, dite Marielle Franco, née le 27 juillet 1979 à Rio de Janeiro et morte assassinée le 14 mars 2018 dans la même ville, est une sociologue, femme politique et militante féministe des droits humains et LGBT brésilienne.
Elle est membre du Conseil municipal de Rio de Janeiro, comme représentante du Parti socialisme et liberté (PSOL) de janvier 2017 à sa mort.



terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Off diario - cura da ferida da opressão ou sindicato dos humilhados

Off diario - cura da ferida da opressão, terapia coletiva de ferida que vivi ou por um sindicato dos humilhados

Hoje meu foco é : numa cena banal você é humilhado em publico.

Desde criança eu cresci sendo humilhada. Sabe como é aqueles comentarios de julgamento : doida, puta, escrota, bandida, sem futuro, sabe-se la quantas vezes eu fui julgada em tribunais de rua ou pelos tios que hoje são bolsonaristas.

Bom, se escrevo é para sair de mim mesma nesses julgamentos opressores sem precisar ser vitimizada : se escrevo é porque sou inocente (apelo pro meu nome de familia, mas porque também sou ingênua e so quero ter uma vida boa, com amigues e amor, minha facção é carinhosa).

Como escritora eu gosto de mostrar cenas em que eu mesma vivi, escrevendo como que mostrando "olha, podemos sim nos defender e curar" das feridas cotidianas da disputa do poder, inclusive do poder viver.

Mas, ontem mais uma vez sofri uma humilhação em publico (uma festa de aniversario em que havia amigues e namorados de amigues). Pode parecer cena infantil de bullying com trinta e dois anos, pode ter sido isso e eu devia ter ficado na minha, mas não fiquei não.

Isso abre a porteira do inferno : como você reagiria numa cena de humilhação, sendo que a vida toda você viu isso e teve que "conviver" com isso ? Tudo isso porque brinquei dizendo que ia levar papel higiênico para festa. Maldita hora que resolvi brincar.

Sabe quantas vezes você pensa na possibilidade de simplesmente desaparecer porque você não aguenta mais a humilhação ? Sobretudo de gente que te diz ser tua amiga, parceira e tão oprimida quanto, mas enfim, como pedir ajuda a uma pessoa que repete a formula do Paulo Freire "o sonho do oprimido é ser o opressor" ?

Por sorte eu gosto de ficar sozinha e conversar comigo, por sorte eu escrevo para afastar os demônios da necropolitica e assim não virar estatistica, por sorte eu existo e tenho quem me ama, por mais que agora eu tenha me casado com uma tese de filosofia, dramatico casamento, de todo jeito eu não ando sozinha. Mas tem certas porradas que a gente leva que fica dificil de digerir, eu fui derrubada ontem e por um momento fiquei no vazio de não saber a quem falar. Escrevo nesse oceano de gente virtual, porque no fundo não quero encher o saco de ninguém, muito menos dos meus melhores amigos (inclusive os que não tem facebook). Não se perdura no sofrimento nem na humilhação, se corta.

Porque cansa apanhar da chantagem do capitalismo, pagar aluguel e ser feliz, fitness, se dar bem na vida. E ainda assim ser humilhada todo dia e "fingir" que ta tudo bem.

Não ta não irmã !

Escrever é um ato de liberdade. Se a pessoa que te humilha não ta nem ai pra você e humilha não so a você, mas ao mundo, saiba você não ta sozinho.

Bota um racionais mc's e ouve o discurso do Lula, um dia de cada vez Brasil.

Mas ta foda, bateu e doeu.

E mesmo assim eu não desejo nada de ruim a quem humilha para se sentir gente, ao contrario, como amiga eu grito :

Descoloniza, muda essa tua rotina de humilhar os outros, sai dessa logica de dominação, para de achar que é humilhando que você vai se sentir melhor ! So se ama amando e vai fazer uma terapia ou um passe que ainda da tempo.

Facção carinhosa êê. Dias melhores virão, axé.

Foto da performance que fiz dos Banhos no evento Anti-Colonial, para que se saiba que de arte que a gente vive, que se transforma em ação cotidiana de cura e, por isso, em politica, fé e filosofia.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

off diario - por que é tão dificil amar ?



faz tempo que não escrevo, faz tempo que penso em suicidio acadêmico (abandonar mesmo a teoria e sabe-se la se na pratica vai dar certo fazer uma tese, naquelas)

pois ta ai! Me respeita ! tenha vergonha na sua cara !

(mentira, tento ao maximo não ser barraqueira, e não, não vou desistir da carreira acadêmica, por mais elitista e escrota, é botando o pé na porta que nois consegue um salario e aposentadoria).

Respirando, e escrevendo e voltando a escrever para este mundo tão apagado da internet, boto meu pé na porta das eras do blogspot e digo : eu venho é do Ceara e não tenho vergonha nenhuma de dizer eu te amo, vamo ali no mato agora ! modo jaguar...

crio maior abuso de gente que finge e joga joguinhos de captura e conquista, a diferença colonial

eu sou dessas, meio Gabriela com cravo e cachaça, que so quer viver, que não tem mais paciência para firula existencial, a vida ja é tão cheia de problema, competição, probalidade de dar tudo e errado, sem falar na injustiça capitalista e social,

avali ficar jogando com os meus sentimentos.

amiga, eu sei que é dificil tomar decisões no meio do caos, oxe se não é

da dois tapa na cara e não tenha medo

acordei com Sidney Magal para dizer não tô nem vendo, eu vou é amar e terminar este caralho de tese sobre sim o amor é arma e como o patriarcado é violento com as mulheres e mesmo o amor enquanto sentimento mais humano é vendido, escravizado e escrachado, eu não tô nem ai para essa gente mesquinha, minha voz é essa : que goza e que luta por um mundo mais amoroso

facção carinhosa

ps: obrigada às minhas amigas da comunidade, muitas vezes feministas, mas somente matriarcais, que ja tenho tanta saudade, principalmente a familia de Marseille Perlla Rannielly Renata Pires Nichelle Teles Maïra De Oliveira Aggio Veridiana Vilela Priscila e Andre Scient

https://youtu.be/YMmDtydK-L0

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Off diario - o que fazer em caso de controle policial



A policia veio e me pediu pra descer do ônibus, o cachorro tinha mostrado que minha mochila tava cheirando horrores. pra minha sorte tô de baixa e de baixissima,tentando eternamente parar de fumar e tudo. mas ainda representando essa parcela das humanas do fumo e da vida.

Mas o stress mesmo inocente que é responder as perguntas : quem é você ? o que você faz ? porque ta cheirando ? (il fait des années... faz é tempo que eu não lavo essa mochila)

Pra terminar essa crônica de imigrante, eu ainda falei assim mesmo "inchala Lula va gagner les élections et je vais pouvoir rentrer chez moi", axé que o Lula ganha as eleições e vou poder voltar pra casa.

O que implica sempre a mesma idéia : não são os grandes traficantes que são presos, mas sim os pequenos e os usuarios. A legalização das drogas é um tabu e por isso mesmo movimenta guerra e injustiça social, quem lucra com a morte e a proibição ? A guerra no Brasil que o diga.

Temos que enfrentar isso.

E aproveitando hoje é dia de Exu, que sem ele não ia ter caminho aberto não, quem sabe o quanto é Exu sabe.
é ele que me da dignidade, olhei logo no olho e falei papo reto, senhor policial eu fumo e tenho amigos que fumo mas eu tô é de baixa. quiseram rir, mas não podem. Obrigada, Adupé, Exu !
Laroiê