domingo, 11 de agosto de 2013

Roteiro Afrodite Nise + Pesquiza Amoral

Afrodite Nise

“E ela, naquele afã, mudando modo e direção
do nado, virava-se na água, observava-
-se em todas as luzes, contorcia-se sobre si
mesma; e sempre aquele ofensivo corpo nu
lhe vinha atrás. Era uma fuga do seu corpo
o que ela estava tentando...”.
[“Aventura de uma banhista”, Ítalo Calvino]
  
Roteiro para apresentação Abertura da Vênus no Hospital Nise da Silveira.

Acima de tudo a primeira pergunta a que nos fazemos : o que é o amor? Como associamos a animalidade, a consciência e a humanidade (de se por aos afetos, aos erros e desatinos) do amor. A proposta é ensaiar o mundo cosmogônico do amor, visto por olhos grego-ocidentais, sua aplicação moral no cotidiano e o nosso salto que permite novas criações amorosas.
 E confundir os conceitos, é trazer a tona sua duplicidade de sentidos, além de testar os papeis profissionais a que eu estudo: professora, pensadora e performer. Não só com as pessoas que se dispõem a ir ao Sarau, mas também avaliar meu papel de mediadora de forças e energias com os pacientes. Avaliar as sensibilidades, inteligências e potencias que singularmente as pessoas tem dentro delas mesmas, não importando sua “cultura”, ou “educação” ou mesmo “normalidade”.
 Durante a contação de histórias, disponho de alguns elementos sensoriais, a escuta do mar, o tato com as conchas e o cheiro de óleos e perfumes. O objetivo é criar um mar, uma outra natureza para além do hospital, encarcerado de imagens e paisagens, uma outra natureza livre.
 O nosso mito é o nascimento da Afrodite. A deusa do Amor na cultura antiga grega. Influenciou a representação estética feminina no cristianismo, no Renascimento e até hoje mostra reflexos no cotidiano de sua ficção moralizante.
 O ensaio começa com o poema Teogonia, de Hesíodo:
Sim bem primeiro nasceu Caos, depois também
Terra de amplo seio, de todos sede irresvalável sempre,
dos imortais que têm a cabeça do Olimpo nevado,
e Tártaro nevoento no fundo do chão de amplas vias,
e Eros: o mais belo entre Deuses imortais,
solta-membros, dos Deuses todos e dos homens todos
ele doma no peito o espírito e a prudente vontade.
Do Caos Érebos e Noite negra nasceram.
Da Noite aliás Éter e Dia nasceram,
gerou-os fecundada unida a Érebos em amor.
Terra primeiro pariu igual a si mesma
Céu constelado, para cercá-la toda ao redor
e ser aos Deuses venturosos sede irresvalável sempre.
Pariu altas Montanhas, belos abrigos das Deusas
ninfas que moram nas montanhas frondosas.
E pariu a infecunda planície impetuosa de ondas
o Mar, sem o desejoso amor. Depois pariu
do coito com Céu: Oceano de fundos remoinhos
e Coios e Crios e Hipérion e Jápeto
e Teia e Réia e Têmis e Memória
e Febe de áurea coroa e Tétis amorosa.
E após com ótimas armas Crono de curvo pensar,
filho o mais terrível: detestou o florescente pai”

Toca Anakrousis (musica grega antiga). Balanço um pouco a bacia. Olho por entre os sujeitos. Espero o silencio que for, o silencio necessário. Conto a história de um simpósio – explico que simpósio é uma espécie de competição de argumentos, onde o deus do vinho é o juiz e a todos é dada uma dose de vinho – e o simpósio que vou contar é sobre o amor. Cada convidado dá sua própria perspectiva sobre o amor.
Conto rapidamente sobre o romance entre Alcebíades e Sócrates.
Relembro o poema de Hesíodo e o porquê de estar falando deste simpósio: um dos convidados fala sobre Afrodite. Aqui é dupla. É Urânia (a que é contada por Hesíodo) responsável pelo amor intelectual: o saber erótico, ou melhor, a pedagogia pederasta, onde o mestre ancião passa o saber teórico e prático do amor para um jovem. A outra Afrodite é Pandêmia – que em grego significa popular – filha de Dione e Zeus, protege os amantes e ama a todos, refere-se especificamente para o sexo. É evidente que Platão diferencia e moraliza essa perspectiva amorosa.
O que no cristianismo ocorre plenamente. (Mostrar a imagem do Botticelli). O corpo, sua animalidade, expressão de imprevisível afeto é negado, colocado a um lugar chamado loucura. Aqui podemos tomar como exemplo a tabela que o Panofsky coloca no seu livro ensaios de iconologia, onde assemelha o ato sexual ao da loucura.
Huberman (autor de Ouvrir Venus) nos traz o conceito de Isolação, proposto por Freud. Isola-se para esconder o que nos trás a animalidade, a finitude, a morte, o caos. Escondendo para reafirmar através de uma tradição de conceitos o que se considera como belo e bom. (Mostrar o conceito de isolamento).
Por fim, quais seriam as nossas Afrodites contemporâneas? (Mostrar Doce Amianto). Desta vez, não mais separando as Afrodites, mas juntando-as no que hoje se chama de trans.
Depois da fala, faço um banho terminando a playlist. Um banho para trazer mais amores, mais liberdades, mais fé no caos afetivo, nas partículas de fuga, nos errores e afetos.



Nise da Silveira

(Uma homenagem, um singelo cheiro, um site-especific, um ateliê) [1].Pesquiza Amoral


Estrategicamente esta pesquisa amoral será a mais realista possível. As perguntas buscarão criar um mapa que descreva a imagem mais precisa e detalhada sobre o Hospital Nise da Silveira. Desta vez é o real que vai nos presentear com suas imagens fantásticas, estrangeiras ao senso comum, ao que se é considerado “normal”. Por outro lado, o tom político desta pesquiza é apreensão (entendido aqui no sentido de preocupar, também de perceber e descobrir) como o hospital é gerido, tratado, como os enfermeiros trabalham se há condições, no final, com a pergunta constante: o que é liberdade? Há esperança? Há luta? Como resistir?

Questões

    1)    Você é um cliente[2]? (O que você acha desse nome?).
Caso sim:
1.1)  Por que você está aqui? Como você avalia o tratamento do hospital? Quais seriam as principais reclamações? E o que você mais gosta daqui?
Caso não (se for trabalhador a pergunta se direciona para as condições de salário e infraestrutura):
1.2)  Por que você está aqui? Como você avalia o tratamento do hospital? Quais seriam as principais reclamações? E o que você mais gosta daqui?

     2)   Como é a sua rotina? Como é o seu real?
(o seu tempo é bem administrado?).

     3)   E o amor / mar? Sobre os elementos da natureza: o sentimento e a paisagem, que compõem esse estado de graça, que alguns encaixotam como prazer, desejo, ou melhor: viver...
Qual é o seu desejo?

Pergunta extra: De 0 a 10 o quanto curtiu a Pesquiza Amoral?







[1] Palavras-chave que definem não só a continuação da luta antimanicomial gerado pela Nise, um relato de carinho e de primeiras palavras, já que este relato comenta o primeiro trabalho a ser apresentado.
[2] Por se tratar do Hotel da Loucura, alguns pacientes são chamados de clientes. A pergunta segue ampla e (ao vivo comentarei) sobre a sociedade de consumo e se afinal não somos todos clientes (ou melhor escravos) de um sistema.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Por que máfias existem?

Filmes de máfia
Capitalismo e suas instituições base
(hierarquia, influencia calcada em aparência e competição)
Para um classe média escolher viver pode ser entre o operariado falido em sonhos consumistas ou enfrentar o perigo por um mundo de extravagancia mafiosa (não deixando de ser consumista, ao contrario exerce o poder em exibir td que tem). A esse classe média dedico este texto, porque o mundo do crime de tão julgado como “errado” acaba não sendo analisado. Inclusive o que é crime?
Aqui o criminoso assume uma fronteira entre o selvagem e o guerreiro (desta vez a política entra em ação para defender a ética transgressora e a imposição de respeito como os animais o fazem: com olhar e a disputa).
Os bons companheiros: e sua ética suja.
Convenhamos, vivemos uma grande instituição chamada Estado, dentro dela formada pela Universidade, Hospital, Escola, o comércio, a política, a mídia, o turismo, entre outros e o não menos importante a polícia. Dentro de uma realidade não hipócrita é até humano presumir que essas instituições por serem de poderes hierárquicos e não orgânicos são sujeitos a um tráfico de influencia e uma sutil corrupção (quando não histérica corrupção). Denunciando o fato de que a polícia inclusive forja inimigos – a exemplo Bruno do molotov e a guerra do iraque/Vietnã/Afeganistão etc americano – a máfia enquanto instituição criminosa é a representante do lado obscuro do desejo estatal.
E por quê? Porque na hora que os cidadãos mais comuns e menos representados se sentirem carentes de ajuda, dinheiro, influencia, poder, os favores serão pedidos ao padrinho (“the godfather”). Os cidadãos perdidos dentre sua própria alienação, técnica de vida iludida na promessa de trabalho e amor casamento é uma outra instituição e a ela devemos o “como viver nossas vidas e reproduzi-las”, mesmo sendo diferente você sabe o que eu quero dizer...
O Vaticano não paga imposto e é um dos maiores acionários na indústria armamentista, seus corredores são cheios de gala e suborno. Há séculos mata, comete genocídios e estupra. Religião: mais uma instituição que em sua estrutura há o crime e o paraíso espiritual.
Não estou dizendo que aceitemos a violência de cada dia. Pelo contrário: que tenha sanidade o suficiente para entender o lado animalesco do aventurar-se no crime, da insconciencia acordada.
Prefiro conseguir meu respeito no olhar, no encarar e agora na escrita, do que forjar uma falsa aliança humanitária globalizada. As manifestações representam um cansaço da instituição, sem dúvida.

Que instituição queremos então?

Da máfia respeito a lealdade, não só em um aspecto, mas rapidamente penso que uma lealdade ao amigo, ao amor, ao crime como transgressão de uma vida pautada em pressões estúpidas e moralistas. 

Em protesto a toda opressão cometida pela máfia - PMERJ / teologia do ódio ao diferente / Milícia - eu digo: não terão meu ódio, não terão a minha violência, ao contrário a luta é intrínseca ao viver, mesmo sabendo que máfia existe desde o império romano...

terça-feira, 23 de julho de 2013

Poema antigo

Quando eu fico de quatro eu viro a diva do pornô

Quando eu fico de quatro eu viro o divã dele.

Quando eu fico de quatro eu viro a diva do pornô.

Quando eu fico de quatro eu viro o divã dele.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013


     RESENHA do livro
               DIDÁTICA E DOCÊNCIA Aprendendo a profissão.

Trilha Sonora:




Professora Graça
Aluna: Raísa

    O texto disserta sobre o processo de humanização, constantemente atualizado, que o professor sofre. Renovação esta que constrói a identidade do professor seja no diálogo que ele trava com o aluno seja na própria constituição de “ser” do professor. Na filosofia essa questão é denominada uma questão ontológica, ou seja, se trata da pesquisa acerca da essência do professor.
   Ou como no texto aparece “modo de ser e estar” na profissão. Tal modo se mostra mais potente quando o professor coloca na sala o seu ser tal como um espelho do que ele é na vida. Seus dilemas, esperanças, sentimentos que são subjetivos e abstratos, pouco trabalhados muitas vezes. Serão também demonstrados em sala como prova da intimidade e amizade criados em decorrência do tempo que se vive junto.
   O professor, portanto, deve combater com seus colegas um sentimento bastante difundido na sociedade brasileira: a hipocrisia. Não só com problemas de caráter e hierarquia social como também com questões que surgem de teor delicado e complexo, muitas vezes o professor assumindo um papel de pai, mãe e psicólogo. Caminho este de orientação para formação dos alunos.
  O texto, apesar de sua estrutura que é alvo de crítica e discussão por seu estilo hermético e distante da realidade, o que dificulta a apreensão teórica e assimilação com uma realidade afetiva – Suely Rolnik chama este campo de cartografia sentimental – apesar da burrocracia acadêmica o texto expõe a necessidade de o professor explorar suas vivências e admitir os problemas que cercam suas aulas. Segue a citação, Paulo Freire (2000), p. 10:
   “É preciso ousar para ficar ou permanecer ensinando por longo tempo nas condições que conhecemos, mal pagos, desrespeitados e resistindo ao risco de cair vencidos pelo cinismo. É preciso ousar, aprender a ousar, para dizer não à burocratização da mente a que nos expomos diariamente. É preciso ousar para continuar quando às vezes se pode deixar de fazê-lo, com vantagens materiais”.
  Dentre diversos fatores, o texto destaca três elementos na construção da identidade do professor: a biografia, as relações profissionais (experiencia) e o significado singular que cada professor atribui além da profissão, sua vida, anseios e angústias.
  Acerca do primeiro aspecto, a biografia, ressalta-se a importancia de relembrar os tempos de escola. Onde traços de carater como a valorização da vida, o respeito ao outro e toda a diversão espontanea da infancia – a liberdade que a criança tem de naturalizar o que o adulto moraliza e divertir-se sem vergonha – são “memorizados” por crianças e na difícil transição para a adolescencia são encarados às vezes violentamente às vezes ainda envolto a sonhos e perspectivas de caminhos amorosos com a vida. Cabe ao professor na hora de divagar sobre a propria formação de carater saber mostrar os dilemas e as cerejas do bolo.
  A sua “bagagem social” faz com que junto a lembranças pontos de aproximação surjam.
  O texto então toma como exemplo uma pesquisa realizada com professores cearenses. Não sei de quando se refere as estatísticas, porem devo esclarecer que hoje, depois de políticas culturais atuantes na prefeitura da Luizianne, a oferta de possibilidades culturais aumentou e é de acesso não só para professores como também para alunos. De exemplo a construção recente da Caixa Cultural, Centro Cultural Banco do Nordeste e o precursor o Centro Cultural Dragão do Mar.
  Outra crítica: o fato de um professor não ir ao teatro ou possuir caracteristicas culturais ocidentais não faz dele um professor ruim. Primeiro que a escola é só um reflexo de uma manipulação muito bem conhecida, seja pela mídia ou pelo voto de cabresto que não quer que a cultura de “elite” seja distribuida e muito menos suas oportunidades revolucionárias.  
   Segundo que, coincidentemente, sou cearense e minha mãe é professora e por mais que ela não goste de museus ou cinema europeu, o seu ensinamento de vida é muito mais importante e ético e singularmente brasileiro. O brasileiro que possui um modo de ver e sentir o mundo integrado a natureza, tal como Guimaraes Rosa descrevia em seus livros. E, sendo um exemplo para ilustrar minha propria biografia importante ressaltar que tive uma mãe com muitos filhos.
  O segundo elemento é a formação. Suas relações profissionais junto com a contextualização política e social do professor são dados como importantes na formação. Para tanto é necessário inserir-se no coletivo e desenvolver uma maturidade ética, cultural e, eu diria, afetiva. Maturidade que quando atingida possui liberdade para criar novas referencias e, consequentemente, no seu comportamento e modo de agir.
  O terceiro é a prática pedagogica. A escola é uma miniatura de como a roda da sociedade gira. O contexto social e historico se desenrola e o professor é o comunicador dos acontecimentos. A escola, portanto, possui na sua essencia um “patrimonio simbolico”. Assim o texto assinala que para pensar o professor é também necessario pensar a rotina escolar, tendo a compreensão escolar como fundamento para formação. Pensar a rotina escolar é também pensar suas proprias crenças que fazem parte da ação do que a autora chama “ator educacional”, ou seja, estar aberto a mudanças e tal como um aprendiz que faz e refaz seu ensinamento.
   O texto conclui seu segundo capitulo, comentando acerca dos saberes especializados. Cita o estudo atual de autores como Saviani e Gauthier. Apresenta algumas caracteristicas de cada autor, ressaltando que o intuito é a analise da formação da identidade do professor e de sua ação didática.
Bibliografia
Bottos, Juliana. A influência da mídia na desvalorização do professor da escola pública brasileira. Eduem, 2011. São Luís.
  

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

plano b


politica

o que é o poder

eu posso, tu podes?

eu nao vejo televisao, é tudo igual;

o maior pecado atual é a perda de tempo.

aluguel, me aluga não...

[ paulista se fode meu ] lapso de um dia em alguém

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Cartas


       A escrita me auxilia a ver de novo o passado. A ver o que eu cria ser o pleno e o fluido prazer. A noite com o mar, nem imaginava o rumo que isso ia tomar. Cresci entre camas insatisfeitas e precisou de um banho aquele que renasce. Esse banho, por outro lado, existe também em ações, acontecimentos, leo me abraça e me faz chorar os anos de 2008 morte d(a)  prima 2010 se revelam em penumbras de caos necessário, leo me colocou de novo no centro, me colocou inclusive pronta pra suportar minha própria natureza. A metáfora do sufi brilha com aqueles que dançam sem nunca cair ou mesmo com aqueles que constroem palacetes, como diz Ali. Tal movimento que só consigo pensar, sentir e agora sim volto a escrever. Tola ainda sou, porque o templo implacável sempre regenera de possibilidade ditas e sentidas "como boas", bastando que o dia apareça para nós. O conforto de poder exemplificar todo esse processo na palavra puberdade - ou como o amigo Santiago diz pu(v)erdade - fazer sentir a passagem da idade criança para idade mago - sinceramente prefiro pensar nos Jedi, que tem a sua hierarquia pensada na experiencia do ser, como marivas me chamava: pequena padawan - aprender que manter a tranquilidade é uma questão de rotina e cotidiano, invenção de risos e convocatórias de prazer ao deus baco e afrodite, minha linda. Não preciso sair do ocidente para afirmar que a vida tem que ser levada com fé e potência no devir, santo nietzsche, que se treme só de ser chamado de santo, mas tremer é bom, pensa a esquiza. Parece que isso ocorre tão solto, o caralho. Primeiro precisei sair do rodopio, passar pelos frios e decadentes humores daqueles que não levam em consideração o outro. Cheguei a pensar que nunca encontraria uma galera maneira que fizesse plena na loucura. E eis que no carnaval, contra todos os humores que diziam: você é louca, perder o bloco para buscar uma garota que tu nem conhece?, sim, eis que eu fui lá, sabendo que a troca é um hábito experimentado, o real demonstra isso, quer real mais fantástico do que o do cigano? A busquei, a acomodei, ouvi notícias da Síria, Egito, e tudo pareceu tão real, quanto a presença dela.

    Os encontros mágicos se abriram.  O tempo-devir entre um carnaval e uma semana em novembro. Como se o que precisasse fosse somente uma porteira*. Apresentou-me um mundo que eu achava impossível. E neste ano de 2012 fui lá conhecer a terra dela. Os pólos se inverteram, por supuesto, visto que sou cearense (da terra do calor ameno o ano inteiro) e aonde fui se concentra do frio ao calor em um dia (porto alegre).É claro que há o diferente, árvores, voz, toque ou não toque. As árvores me mostraram o silencio do outro. O pensamento correu tranquilo, como há muito tempo não conseguia. A partir de tal silencio vi que é possível ter uma distancia entre o eu e o outro, tolo de minha parte, achar que dá pra compartilhar tudo em todo tempo, paciencia com o dialogo e a linguagem. Felizmente dedico o meu tempo a pessoas esquizas que me levam a outros mundos. Há de se ter paciência com a imbecilidade, porque é a maneira mais fácil de fugir do sistema. Entretanto, pausa para uma baforada, me utilizo dos escudos afetivos, da proteção da Juliana (você tá fudida! os acadêmicos, as feministas... lembra?), do silêncio e da zomba, se vc ri, o que há de se fazer contigo?

    Em Porto Alegre, descobri que posso gozar sozinha.

    O meu delírio megalomaníaco de amar o mundo se concretiza em sonhos, palavras e há uma paciencia colorida de ideias e sons que faz com que o sexo seja livre.

Eu desejo o mundo.
Eu desajeito o mundo.

Não há fim, porque não cessa a escrita. Alguém continua.

domingo, 30 de setembro de 2012

Cabo Verde dream's

The Budos Band "KAKAL" - Exclusive 45
Algo terrível acontecia. Desmaiavamos em terras gringas. Aparentemente uma praia cheia de pedras, Bianca, portuguesa, uma conhecida minha, estava ao lado. Depois soubemos que naufragamos em Cabo Verde. Uma belíssima praia se abriu a nós. O sol que lembra o ceará, mas diferente, o sotaque e o clima se confundem, se procriam, e cada sotaque-clima tem seus filhos e filhos. Lá a língua falada era portugues de portugal. 

andamos, conversando sobre o que se tinha passado, tentando ver soluções, lugares. Achei ao longe uma caverna-gruta, em frente ao mar, saca.

atravessar uma praia no sol quente, depois de um naufrágio, com pedras e pés descalços, cansados de tanta quasi-mortem, oxe, pois vou lhe dizer, no meu cabo verde dream's eu tava tão feliz de tá numa praia, com amigos (Bianca é a que mais aparece) e andando a caminho daquilo que te assegura, pareceu outro sonho que tive - tenso pra caralho, mas tão bom, tão seguro de sua liberdade, chegava numa praia com milhares de baleias encalhadas, pequenas e grandes, perto e longe, cena de filme corrido, eu e alguns amigos correndo em direção ao mar, colocando panos pra afastar, e rindo chorando quando as pequetitas baleias saiam contentes e livres... algumas morreram, mas não em vão - 


a felicidade que é livre. (palavras tortas, tão bestas, mas tão abestadas, que o sentido delas quando é vivido, parece até torto, lombra, a sensação do deserto chapado em mim... quando chegamos a gruta-caverna diz ai, pense na viagem, tinha umas piscinas que o formato delas dava direitinho numa cama gigante, como se fosse um cinema e a tela fosse o mar, deitamos, fechei os olhos, mas não queria o escuro, abri-a teimosa e o mar entrava.


tento lembrar o resto, algo a ver com a avó neuza. 
o fato é ...

domingo, 23 de setembro de 2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pu(ver)dade



    Andava por entre sobressaltos de alegria e confiança no mundo. Precisei de muitos murros em pontas de faca, muitos socos levados na expectativa, as crenças desabam. Me vi no escuro, andando sozinha, sem rumo, alias com o único rumo que nos leva e guarda. Andar é tal como escrever. Eu crente, ingenuamente confiava no código linguagem e aos poucos e barrancos percebi que muito é emoção.
   Sabe se lá porque,

   Sabe se lá porque, estamos aqui vivendo, engolindo uns aos outros, forçosamente convivendo com patrões, crente que são nossos amigos...

perde-se o saber de quem são nossos amigos e eu não tenho emprego.

estou a deriva, sem ter pra crer, me segurando em projetos que não tem valor.

me abrir pra que, me abrir pra crer?

hoje sonhei que ia a praia chamada paraty e tinha vários tipos de baleias, encalhadas, de vários tipos, e eu e mais uma galera ajudávamos, no final sim era um happy end, elas saiam nadando, livres...

Sabe se lá porque,
estamos aqui, escrevendo tolices, pra suportar a hierarquia, a humilhação de não ser escutado, afetado, a humilhação de não ter...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

oaxaca!


Amigos,
           Tags: convocatória, pedido, amigo
           De antemão adianto que convoco para pedir uma ajuda, que me vai ser surrealmente feliz. Conhecer terra de Frida e Buñuel surreal filmou. Preciso de uns dólares para fazer uma residência em Oaxaca, ministrada pelo Pocha Nostra. 
              Mesmo quem não possa me ajudar com $, abro convocatória pra quem quiser me mandar seu disco, sua obra, que te importa no coração, para espalhar pelo país México.
             Preciso de doações, ou se for o caso, quem possa me emprestar um espaço para fazer uma festa e lá um bingo com cervejas baratas. Um mutirão de ajuda. 
               De fato, assumo aqui: acredito na ajuda, porque sei que tem retorno (pode ser energético, espiritual, num importa).
              Música, cinema, obra, drama, tudo pode ser espalhado ao vivo. Vou tá numa das cidades mais quentes e fervilhantes e em pleno verão.
              A proposta é essa.
              E claro, vou fazer uma festa quando retornar pra comemorar, porque o pocha nostra é foda!

opao.blogspot.com
http://www.pochanostra.com/

quem quiser me mandar sua obra, pode mandar pelo correio para o endereço rua ubaldino do amaral 41, apt 908, centro cep 20.231-016 rio de janeiro
ou para raisa.anniehall@gmail.com

deixo aqui o pay pal – serviço de envio de dinheiro pela internet – do Pocha Nostra: pocha@pochanostra.com. Tem que ter login, mas qualquer dúvida to aqui. preciso de 425 dólares...
             a conta é 2793-6 e a agência é 54.922-3, o nome é raisa inocencio f. lima e é banco do brasil.


e tem trilha sonora, pra esquentar os tambores.

domingo, 1 de julho de 2012


Contexto, performance, cotidiano e amigos
                                                                                       Ou toque, retoque, abra.
Acendo um beck, enquanto escuto Tarrega, dou poucas tragadas até começar a escrever esta carta, uma carta de muitas cartas, trocando uma carta por pessoa, uma pessoa de muitas pessoas sou eu. Números não servem para visualizar a imensidão do homem e o quanto somos impelidos a esquecer, esquecer e negar. Negociar. Proponho um ociar, uma batida de porta, um soco quem sabe?
Por que escrevo? Por que me dou ao trabalho de pensar o dia inteiro sobre o que me comove a escrever o que vou escrever agora? Posso (olha o poder se manifestando...) posso dizer que mãe filosofa e franciscana (dois conhecimentos que no que tangem ao homem, acreditando tecnicamente num Todo, de um lado um universalismo escroto que diz somos um e de outro uma crença afetiva muito forte na alteridade, num amor por todos, filo – amor, sofia – sabedoria) me fazem no mínimo pensar nisso.
Esta carta, por outro lado, é para vocês: raphi, sara e filipe. São imagens os cotidianos que nos levam a dividir nossas realidades, não é? Ora, sou aluna, ora sou amiga, ora sou aquela que tenta ao menos desorientar esses sentidos tão seguros, assim responsáveis por essa sociedade cada vez mais preocupada no próprio cu. E a miséria afetiva e o esquecimento social se dão assim. Falar do cotidiano é assegurar a balança dos afetos e comer, digerir e sentir a boa liberdade de chorar ouvindo recuerdos de alhambra. Sem ficar triste.
Fico cansada, porque são tantas coisas a serem discutidas, debatidas, institucionalização feroz da arte que grita e reclama uma amiga de anos por causa de um celular? Claro, sem falar que se sabe que o celular era de um telefonema de um amigo em pleno surto. Então não assistisse a performance, de fato, mas o que me foi ver o Ron – que segundo soube já fez performance em viaduto, metrô, com toda abertura para o barulho externo – mesmo assim Sergio porto e eu temos uma relação controversa de silêncio e aproximação do publico através do som (já que o toque é proibido), então meu amigo sua performance não é performance, é espetáculo, sendo assim a diferença entre você e a novela das oito é a quantidade de palmas, é a burocratização da arte, o enchimento do saco através do retoque, retoque a moça para não atender mais telefonemas em performances, vai tomar no cu sabe. Sem falar quê. Sem falar quê Penalva is my friend too. Ver sangue neon gritando por toque pensando “penalva is dying”, a carne sendo perfurada e a morte me aproximando, e o sangue escorrendo mesmo que eu não pudesse pegar, claro, não pode tocar o artista, ele é sagrado! E era justo isso que eu queria dizer pra ele naquele momento lá fora, Sergio porto. Sacralizando um comportamento, um sistema, e ainda ouço maliciosamente por uns que eu guardo troféus, que idolatrio romanticamente os meus autores vivos... quando digo que todos nós somos sagrados, riem, e sinto gosto de fazer as pessoas rirem, rituais risos e conceitos testados. Testing! Testing! Testing! Somos todos bobos da corte, médicos da alma, filósofos inaceitos, pochanotristas somos todos bobos da corte. Mas só quem possui o poder do riso pra ser séria como estou e sentir esse cansaço, dancemos um flamenco, meio brega, mas eu curto.
Performance na sua construção implica conceitualmente os cotidianos que cada artista diz viver. Perfurar o corpo, tomar banho de vinho, tomar água, são todos os gestos que repetimos de algumas maneiras no chato cotidiano.
No íntimo sincero...  Conte-me mais sobre o que você acha da performance?Diga-me com todas as palavras de monografias, dias, suores, sobre o que você vive da performance? Com quantas pessoas você já conversou sobre o seu trabalho?
Ditas palavras com ar de sentido – cartografias não se esqueça, alguns lêem felizes e sorridentes com o próprio cansaço, outros esquecem (titio Heidegger sabe muito bem sobre os esquecidos), viver-no-mundo não é fácil, Darling. Espero que me acolham e me perdoem por todo o infortuito parto de letras e sentidos desorientantes, esquizos, confusos e carnívoros num complexo sistema de aceitação.
Mas prefiro ficar boba e escrever. Escrever pra quem curte ler e viver a leitura, escutar a leitura, criar outras leituras, soltar, comer, cheirar o meu cheiro através das linhas e pontos...
Todos nós somos sagrados
Do amigo rebecchi
da profanação a todos nós somos sagrados

1. Quem profana amigo é.
2. Quem profana os males espanta.
3. Quem profana acha.
4. A profanação nunca é plena, se a alma é pequena.
5. Quem não profana, não petisca.
6. É profanando que se aprende.
7. O Cramunho ajuda quem cedo profana.
8. Vivendo e profanando...
9. Quem ama profana.
10. Profanar é preciso; viver não é preciso.
11. Profanar já é metade de toda ação.
12. O pavão de hoje é o espanador/profanador de amanhã.
13. Antes profano do que nunca.
14. Olho por olho; tridente por tridente

• Nada mal, nada prudente. Nada bom, sempre prudente





sábado, 26 de maio de 2012

e-mails


vc ficou sabendo do calendario trans que rolou no ceará?


me lembrou o trabalho deles.
 A princípio achei os sites no geral muito imagéticos e interessantes, me gusta cultura, pero há uma linha tênue entre trabalhos que nós vemos pornografia e sentido e pornografia e coisa (ou objeto de desejo coisificado, por assim dizer). Digamos que a essência do nu esteja justamente em provocar um comixão corporal nas pessoas, um comixão animalesco onde os movimentos, os gestos - ou mesmo os nossos devires cotidianos - se revelam, se desvelam e se deixam sorver por um status ontológico e porque ontológico? justo por nós buscarmos a essência dessa louca existência, dentro da máscara dionisíaca existe um pouso seguro chamada ontologia. Explico.
 Primeiro, como é a pornografia convencional - ou seja, esteriotipante para o hetero, masculino e macho, que chega a ser violento - daí sua vista começa a ser esteriotipada tb, seu modo de ser, comportamento, convencionado em papéis em cada instância de poder e desejo, personas que admitimos no trabalho, na casa, no discurso público e privado e em frente ao computador (não digo nem cama, digo masturbação). Acaba que quem tenta travar outros pontos de vista para a mesma imagem, sendo criando ou re-postando, pode acabar caindo na mesma interpretação e sentimento sobre a imagem que o Macho tem ao ver zorra total e suas mulheres de toalha. Outro ponto é como essa ruptura - meu chute é que ocorre às vezes e essencialmente com os homens e por isso q é um processo violento - é estuprante, um processo que se pensa que para se chegar a libertação sexual tem de se passar por uma transgressão criminosa e culpada. Acho que já saímos dessa história de culpa e crime, ne? Mas entendo que é um processo doloroso sair do esteriótipo de machão e pensar a sensualidade numa instância PARA ALÉM DO SEXO, pensar uma ontologia.
 Segundo antes da ontologia. Precisamos visualizar como uma imagem pode ser pornográfica e carinhosa ao mesmo tempo. Por que não se fala de afeto com imagem? É muita ingenuidade minha acreditar em sacanagem amorosa? Parece que pornografia é uma instância onde deixamos de lado a nossa pose de mamãe-cuido-de-tudo pra se tornar a quenga vadia. Ou seja, nós mulheres também somos estereotipadas o tempo todo. E seja em freud ou no sertão, o homem não consegue visualizar sua própria mãe na cama. Ou o que a mãe representa, enquanto entidade de carinho, afeto, paciência, amor.
        Recalque, timidez, embrutecimento, são só afetos consequentes dessa cegueira sensual, abrir a vista para entender o sexo não somente como processo pinto-buceta, mas olhar e cheirar, pensar, investigar, faz com que o homem quando leve um fora ou quando a mulher só quer ser amiga fique de boa, porque se goza também conversando e bebendo à vida. Digo isto porque já tem um tempo que me deito com homens e mulheres e também com Bataille, (o mestre teórico do erotismo) vemos que tudo é questão de aceitar a mãe gemer e que podemos pensar nossas emoções numa instancia comum, em casa, tipo to sofrendo de amor, to. E ai?
  Pois bem, tive eu umas três gerações de mulheres que me ensinaram que homem e mulher a gente lida com amor e riso, mas não é piada, é modus de ascutar a vida.

 Que sexo e parto são os grandes traumas do Homem, com H maiúsculo, aquele dotado de razão e pau duro, nós já sabemos, como é que eu sai daí? Mamãe, me explica, por que vc é tão linda? E aí o macho cresce sabendo que tem que trabalhar em alguma coisa, ter prazer em outra, morar numa casa, tomar banho, etc, várias normatividades, por assim dizer, uma rotina, um cronograma e até a bebedeira dionisíaca tem data: fevereiro. “A vida é curta, mas o dia é longo”, já diria o poeta. E, por isso, a ontologia.

  Onto – logia. Sejamos sinceros, é sabido que estudamos e somos sérios, mas num dá vontade de rir? Nós aqui, trabalhando pra pensar um estatuto que sirva de base para as nossas crenças e afetos? Aonde quero chegar é que mesmo que descreva e vou tentar descrever, é que o movimento de saída do estereótipo machão para um criador, libertário e libertino envolve uma criação, o salto nietzschiano, a angústia heideggeriana, a putaria, envolve experiências no-mundo, arriscado como é, quente como é e se permitir a perdoar quem tentar te violentar, te estuprar com o estereótipo machão. “O medo leva ao ódio, o ódio ao sofrimento”, episódio um do Star Wars. Portanto, a ontologia que pratico e não sei descrever, vê na amizade e na sinceridade um up para uma “ética”, do jeito que vc quiser denominar, algo como o nosso modo-de-ser brasileira. Tô falando de Xica da Silva, Tieta do Agreste, Dona Sebastiana, etc.

 Spinoza é um rapaz bem interessante, me ajudou bastante nessa deriva [atravessia, a (negação) + travessia (ação de ir de um canto a outro, continente e rio), porque a nossa travessia não é linear, é multi, é uma rede com personas de todos os tipos, em todos os estados, online no seu facebook, prefiro skype.] Spinoza é um tecnomago de primeira. Ensina-nos que o homem é dotado de um saber que ajuda ele atravessar essa deriva, mas que esse saber (techné), num é imperial dentro de outro império, é afetivo porra! Ou seja, admitamos logo a existência de uma opinião corporal, que se dá no dialogo, na técnica, de maneira que quando ocorre sua transcendência nós pensamos logo em magia, porque é mágico. Explicar em poucas frases é difícil, tentarei fazer uma fórmula:

(afetos ativo e passivo + Pasolini).(deserto e salto nietzschiano) + dança = ?

Para ser bem firme: nosso corpo manifesta o inconsciente mesmo quando a gente tá acordado, trabalhando, trepando, comendo, cagando. E lidar com esse inconsciente, esse vazio, esse buraco, muitas milhões de vezes levam as pessoas a tomarem remédios. O gozo na doença, o ciúmes, posse, objeto de desejo coisificado.

Desde pequeno aprende a ser tratado como um objeto que vai se mover de um canto a outro, da cama pra escola, da escola pra universidade, da universidade para o escritório. Seja homem ou mulher, aquele produto consumidor triste. Aí depois de anos de tratamento coisificador, a pessoa se torna uma besta. Engraçado, que os antigos usavam o termo bestiale para se tratar de pessoas loucas e desvairadas e sexuais. Pois bem, utilizo agora para tratar das “people-born-to-office”. Acostumadas a ver televisão, transar uma vez por mês, comer porcaria, comprar tudo no natal, porque é natal. E até mesmo os fortes e bonitos, que comem as modelos, as vezes se pegam nesse buraco, big bang!, e mesmo comendo a gatinha de quatro, como se fosse um boneco Ken Vietnã o cara não goza. Foda ne?

Já conheci muita gente que vive esse modus de vida. Trato com carinho e apenas receito Spinoza, mesmo sabendo que as pessoas sugam cultura e não vive ela. Comem como glutões endinheirados, mas não conseguem criar mundos fantásticos reais! A palavra se tornou uma propaganda. De troca e oferta de poder nas já ditas várias instancias de poder e desejo, como trabalho, casa, internet... E, digamos, que se eu me oferecesse toda, para além de ficar nua numa imagem e se dissesse que além de me exibir, eu amo e passo amor? Que a postura pública admitida é contra a violência e aberta ingenuamente à conversa aos violentos. Sobre o cotidiano e etc... E afunilando na postura privada e de quem faz pornografia – nos casos pós-porno na espanha e no brasil, vide  texto pós-porno da Fabi Borges  – para criar novos prazeres, des-hierarquizar os poderes, tornar os prazeres libertários para chegar em sua instancia política-cotidiana. Para que possamos não ser chamados de hipócritas (senso comum brasileiro) e que nossas novelas se libertem da muié que qué o macho e num consegue, a mocinha fica com o mocinho. Só que o mocinho na vida real ainda vai pro puteiro.

Vide: Pasolini tem um filme chamado Comizi d’Amore, onde investiga na Itália o que as pessoas pensam sobre sexualidade.

Tentei explicar durante o texto, como um desdobramento do primeiro parágrafo, onde eu apontava no risco das imagens serem estereotipadas pelo machão e como podemos fazer uma pornografia que rompa e abra novos veres, sorveres, desbravares, usando o discurso do amor, aceitando que a mãe trepa, tornando o dialogo mais leve e cotidiano. 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

conto infantil II

Ander, eu achei um cobertor mágico. Ele tira o cansaço. Aonde ele deita, tudo se transforma e fica mais macio. Alguns dizem que é fibra, mas também podemos dizer carinho. O seu desenho é um quebra-cabeça e algumas cores que lembram tabuleiros de jogos, xadrez talvez. Ele é macio como um abraço.Nos sonhos aparecem também seus mágicos segredos. Inclusive de onde vem essa maciez, quem o criou? De onde ele vem? O cobertor mágico foi dado por uma mulher que fingia ser mais velha, talvez para poder ensinar mais. Tal esse ensinamento que dela surgiu o tapete, mas apenas surgiu, pois a velha mudou-se. Sumiu. De onde veio essa mulher? Suspira o viajante, ouvindo essa história, mas escute: A dúvida sempre fez parte, mas sua real maciez desbrava, simplesmente nos toca e sentimos seu suor,sua sujeira e seu amor. E nos dias de frio, quando se sente o mais carente de todos os maloqueiros, suspira e tenta dormir. E o cobertor te deixa e vc sente sente sente...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Yumê

Yumê
o despertar e o passeio.

Na visita ao centro cultural da Marinha, vi marinheiros ansiosos por suor estrangeiro, o olhar paquerador com o feminino visitante. Isso me instigou, como no tempo que agarrei um carioca no Ceará...

[preciso escrever mais e falar menos]

No sonho eu estava deitada na cama, sofrendo em febre de tesão, quando Antonino Augusto chega, deita e abre o jogo:

- Olha eu sei que você está apaixonada por mim e também sinto um desejo intenso por você, mas eu - do alto da minha idade, sou um homem experiente, como bem percebe - sei que é apenas um desejo, sou apaixonado por outra mulher e a Yumê é linda. Por isso, acho melhor não me procurar mais. Não quero que isso se transforme numa bola de neve.

escutar isso solitário é até clichê, mas ouvir isso quando o pau endurece, latejando de lascívia, sae latejando das calças, grande, enorme, grosso e pálido, com suas linhas vermelhas e roxas de sangue. impressiono com a capacidade dele de me dar um fora tão escroto e ao mesmo tempo passar tanto tesão. E como num vulcão a gala explode incrivelmente, gotinhas brilham incandescentes (e sim muito indecentes!), dando-me lampejos de tesão, a palavra para esse sonho é tesão, retesado, tesadesaquecido teso taradotesionado tamanho o tamanho do caralho. Tanto tesão pelo cara que acabara de me dar um fora, acabando com a paixão.

de certo ele gozou e não há dúvidas que ele gozou pq eu tava lá, deitada e agora nua (nos sonhos você não repara se você ta nua), mas eu vi meu corpo estendido para aquele pica-pau enorme e branco, ele sorria e isso me levou a céus de loucuras, ao ponto d'eu pegar como líquido sagrado e passar no rosto como ambrosia.

ele ri, ri sarcasticamente quando vê que eu passo a sua gala no meu rosto, gargalha à minha desgraça e despreza-me pedindo um beijo. O momento que devia ser o dos mais reconfortantes, foi um suplício, não gostei, era frio, a lingua pequena e fina, como língua de cobra.

- tá vendo? eu não gosto do seu beijo. não me importo de te esquecer...

- então tá, vamos tentar de novo...

puxando os lábios inferiores e dando pequenas mordidas eu fui ao delírio, quando não se mais reconhece qual boca está em qual carne, o beijo mais gostoso do universo. infinito, como um reprise de novela na minha cabeça.

um detalhe perpassa essa historieta: tudo isso acontecia aos olhos dos amigos do meu cunhado, sempre na fronteira do medo de ser pega e o cagar, tô nem vendo, foda-se, é o beijo do Antonino Augusto.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Pensamentos sórdidos nº

Soprar é muito rápido, quero ver aguentar o tranco da incompreensão, da chatice e da burrice: porra, se vc é cardiopata não se envolva com mulheres alcoólatras, dois maços de cigarro por dia e ainda uma dilatação mal dada.

Se é harmonioso, que continue harmonioso entre os homens, quero é ver.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Stracker.

O mendigo que abandona o próprio corpo e se esvai pelo corredor que lhe sobra. É um bandido que assusta com o cheiro e faz sentir o próprio abandono. Pois bem, todos nós abandonamos os próprios desejos em algum momento, seja em alguma festa onde todos te desejam e você por lembrar de um amor antigo ou nuevo... não se leva pela festa. O mesmo mendigo pega um ônibus e se diz independente. Independente de quê? Do sistema de valores que nós carregamos ao julgar o tempo todo todas as impressões e os sentimentos e nos atamos na merda, numa bosta de merda, de sim eu te quero sim eu te adoro por você ter esse cheiro tão delicioso... O mendigo não tem isso, ele carece, porém tem todo sorrisos ao ver no banco da frente o menino faze-lo rir. Do meu lado sofre o amor não correspondido via Facebook. Saia da minha frente, mendigo!(pelo contrário a minha vontade é me juntar a ele a sujeira total, dormir na calçada). Saia já daqui com o seu fedor e incômodo... E por mais que lutamos por uma justiça social, o que dizer: o que é justiça social? Quando o cheiro – imperativo corpóreo de animais cartesianos – incomoda. Como se pode deixar envolver pela compaixão ao ver o mendigo sorrir, sei lá, ele sorria! Sorria ao ver o menino fazer suas presepadas e quem sabe, vindo do ângulo de quem tava quase ao lado, sorria por perceber uma nova esperança, uma nova vida, mesmo cheia de vômito na camisa, é confuso pensar o que o outro planeja, não importa qual seja, mesmo fedendo a xixi e a sabonete de rodoviária. O ser humano por mais desistente carrega dentro de si uma vontade que só cada um pode despertar o desejo inexplicável de viver, seja como for. A vida é uma (una?) já dizia as auto-ajuda.
E agora exclamo a minha indefesa capacidade de não conseguir ficar numa festa sem estar chapada. Voltamos ao assunto: o fedor, o abandono do corpo e o arrêgo. Foda-se. É sempre uma exclamação de quase-desistência. Esse quase quer dizer: eu tentei. Tentei viver num mundo cão, que só sabe repudiar e julgar. Tentei me estabelecer, trabalhar e o que isso significa: o tempo todo dizendo: não abandone seu corpo, pelo contrário faça-o trabalhar mais e mais e mais. Com muitas repetições e muitos apelos. No fundo trabalhamos pra valorizar mais e mais e mais nosso corpo, porque a mente é o corpo. “Sai fora!” Saio... Já saí tantas vezes que ao ver a festa mais louca e mais dedicada à Dionísio eu desisto. Desisto porque de cara não agüento mais um segundo. Sim até dancei alguns relances e por momentos vi pessoas que me lembravam quadros, mas até a vontade esvai o desejo, até onde vai a expressão do corpo, solicito amável. Perscruta e sente o cheiro. Sente aquele cheiro de sabonete de rodoviária, vômito na camisa e xixi na calça. Sente o cheiro de desapego ao corpo. Houve um momento que pensei: posso ficar aqui porque a amo. Ou posso ir dormir e sentir os sonhos de Morpheus me invadir, prefiro o mundo do Morpheus até que encarar a grande questão Alephiana... A palavra é errada, prefiro encarar o meu mundo do que invadir uma grande festa de exorbitações, de exibições ao bom claro som... A palavra errada é sublinhada em vermelho, coisa mais comum em São Paulo é ser sublinhada em vermelho. O fogo que queima em círculos não teme mais a fome, mas sacerdotiza o brilho e faz nos levar a mistérios, porque é mistério, mistérios não compreendidos, a mágica, prestidigitador de sonhos. O sono bate, mas vem tantas palavras que me pergunto: por que escreve-las se o sonho continuará aqui, primeira vez que uso o verbo no futuro, futuro? Primeira vez que nos deixamos deleitar por palavras sem sentido tais como há vários planetas dentro de nossas cabeças, sentimos vários cheiros, alguns nos desagradam e outros nos fazem gozar. A festa sim... boníssima... A festa sim me fez dançar feito Elvis Presley... Mas ainda sinto falta do bolero e da dança com aconchego daquele que faz questão de declarar que o mundo dele é o mundo que dedica o corpo a construção de uma vida. Não deixo de amá-la, mas bem que queria um pedacinho do que ela tomou. Para continuar na festa, para continuar no ritmo. Sim, continuo de cara. Sim, a chapação tem que continuar.

domingo, 29 de agosto de 2010

[c=21][/c]Raísa tentando. diz:
hauhauhauah
quinta eu me apresentei no sesc
ai o anunciador falou assim: crianças saiam da sala, raísa inocencio é proibida pra menores

...
risos

terça-feira, 20 de julho de 2010

- Não adianta fazer uma rotina, criança.
Ouço de longe vozes, que de tão distantes, parecem reais. Aquela realidade que se pode dividir-se em várias, umas que se misturam a sonhos, outras que são feitas de tinta e papel, mesmo que só imaginadas são muitas as minhas realidades. E quando de tão longe ouço aquela voz dizer-me: enfurece-me! Derruba-me... Suga-me para o meu próprio eu, no infinito perdido do sentido.
- Não há análise para o seu caso, mulher.
(Ao fundo: PERDIDA, PERDIda, PERdida, perdida. Cantada de forma cadenciada, mais alto alto até o som não se sentir).
- Não há palavra que te defina, criatura.
Sorrio para não confundir mais e lembro. Mas que porra é essa?! Saio para nunca mais sair de mim, pelo contrário sou o que faz de mim pleno: a natureza. O ser e o existir são um só convite.
- Não adianta querer sair, fudida.
O breu e o fundo. Quem lê se sente o quê, otário? Balanço-me querendo terminar esta sessão, descarrego [COM TODAS AS FORÇAS] o glutão que há em mim.
- Não adianta querer ter um significado, artista.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

descobri que o escritor deve falar do mundo, para que o próprio mundo se reconheça sem perceber disso... que deve falar de si mesmo como se tivesse falando do mundo. que engane o mundo achando que ta bajulando, quando na verdade tá só contando historinhas...

blé.

sábado, 19 de junho de 2010

Resenha Fundamentação 2010 – 1. Estudos do Espaço. Franz Manata

Parte II – O exercício experimental da liberdade.
A apresentação do trabalho se baseia, nos próprios pensamentos do Hélio Oiticica. Na primeira frase do texto já se define toda a nossa proposta: "impossibilidade de experiências em galerias e museus", ou seja, o nosso seminário não poderia ficar somente numa apresentação entre quatro paredes, fechada e com slides. É contingente a experiência na rua com parangolés para que se sinta o que se sente quando se fala de Hélio Oiticica. Toda a experiência que as seis pessoas do grupo guardaram para si vai valer tão somente para a apresentação quanto para a vida toda e é nisso que o Hélio acreditava, que quando se sente arte, se sente vida, não só pra uma propaganda ou um consumo fetichista e sim um sentir, uma memória viva (quase em carne viva) da arte, as duas se misturam: "uma frase de Fernando Pessoa: tudo o que em mim sente, é pensamento".
Estes pensamentos consistiam em fazer de suas obras de arte vivências, experiências com um público livre de julgamento ou um julgamento livre de conceitos pré-fabricados. Junto a isso uma necessidade de sua época era formar uma cultura essencialmente brasileira, com os elementos marcantes da cultura popular, por exemplo, a Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira: "a Mangueira era uma experiência subjetiva de libertação dos complexos da classe média e do intelectualismo excessivo, uma sensação de exaltação..." Impressiona muito a Helio o fato das classes mais pobres serem tão ricas de serenidade cultural, sem o apelo do estrangeiro nem o excesso de informação. O intuito de trabalhar com artigos tipicamente brasileiros, a dizer papagaios, chita, pedras brasileiras, etc, seria também fazer uma crítica social do que se vivia a ditadura, repressão e a falta de atenção as classes mais pobres, e não tornar os elementos artigos de luxo ou artigos de um estereótipo do que seria o Brasil. O propósito da Arte em Hélio Oiticica é fazer do mundo o seu palco.
É samba, puro e simplesmente, depois ele vai sentir o mesmo pelo já iniciado rock'n'roll quando ele mora em Nova York.Tanto é que depois o próprio Hélio vai escrever um texto chamado Tropicália, do qual o assunto vem a tratar sobre a comercialização dos "elementos brasileiros" e não levando a questão no seu cerne: "ele condenava a folclorização, a redução da 'raiz Brasil' a certas imagens brasileiras".
Que cada pessoa possa construir ela mesma o seu parangolé e que dance e que critique o que lhe machuque como injusto. Não somente padronizar em figuras comercializáveis e tampouco prender a memória de experimentação num museu.
Por isso o grupo sentir e se divertir fazendo parangolé.

Por mais que divagamos e conceituamos o trabalho de Hélio Oiticica, só se é sentido quando você o experimenta na sua mais profunda realidade, quando você veste e quando você dança, ou seja, quando você vivencia. Há uma incorporação, um mergulho corpo-obra, que o expectador se torna a própria obra: "não se trata assim o corpo como suporte da obra, pelo contrário é a total incorporação, é a incorporação do corpo na obra e a obra no corpo." Quando se sente um parangolé, você não mais esta ali para dizer que a Arte é luxo de poucos. A possibilidade de fazer do próprio corpo juntos a uns tecidos coloridos, mais o riso e a dança, ingredientes simples e tão livres de sentir a ponto de causar uma subjetividade diferente a cada um são fundamentais para o parangolé o riso, a dança, o colorido, o livrar-se de receios alheios.

Tem que cantar.

Hélio nos faz sentir suor, músculo além do pensar do deduzir do conceituar, é sentir feito sonho.

É sentir feito carne da qual somos feitas.

Dizem que é um mistério saber onde acaba o físico e começa o pensamento, onde se encontra o neurotransmissor e a sensação, por exemplo, de felicidade, quase que como um abismo, meu chute é que na hora do gozo, quando junto a uma carne você tem uma sensação de prazer imenso, esse abismo se encontra e é na obra do Hélio Oiticica que vamos sentir esse gozo e esse abismo tão próximos: é bem onde há o encontro entre o biológico e o psicológico, não diria corpo e alma, mas diria suor e prazer, elementos que estão juntos e separados pelo o que acontece de forma introspectiva e o que acontece sensorialmente. É nesse ponto que o parangolé une.
Corpo suor mente prazer.

Texto escrito ao som de: Air, Cidadão Instigado, The Doors e Fellini.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Resenha
Fundamentação 2010 – 1. Estudos do Espaço. Franz Manata
Raísa Inocencio
Parte I – ESQUEMA GERAL DA NOVA OBJETIVIDADE
Começo o texto apontando algumas dúvidas sobre o que e como o Hélio quer se mostrar dentro da busca e dos conceitos assim criados com o resultado do, como ele próprio aponta, encontro entre ele, Gullar, Lygia Clark, etc. Nesse encontro surgiu desejos, anseios e reflexos de uma época de não mais se deixar levar por “ismos”, não ter como fonte de inspiração uma corrente que literalmente acorrenta.
O fato de no Brasil os “ismos” sempre terem influência de fora, surgiu também à chamada Antropofagia:
“(...) somos um povo à procura de uma caracterização cultural; no que nos diferenciamos do europeu com seu peso cultural milenar e o americano do norte com suas solicitações superprodutivas. (...) A antropofagia seria a nossa defesa que possuímos contra tal domínio exterior.”
Citando Hélio: “objetivar um estado criador geral, a que se chamaria vanguarda brasileira, uma solidificação cultural (mesmo que para isto sejam usados métodos especificamente anti-culturais).” O que ele quis dizer com “métodos anti-culturais”?
Esses métodos podem ser a obsessão que se cria através das gerações em não se abrir para o estrangeiro, não importa qual, como influência criativa? Veja o caso do samba no Rio de Janeiro, o próprio público não admite uma mudança, como não admitiram Astor Piazzolla – com o seu tango em estilo único – na Argentina no início da carreira.
O perigo do estagnar.
O Hélio Oiticica ao escrever sobre a necessidade de criar uma nova antropofagia se mostra claro no processo criativo do “parangolé”. Porque o “parangolé” veio do impulso do querer-dançar, querer-envolver “dialética-social e poética”, querer-mito, ou seja, o quadro sai da parede e envolve quem quiser. Quando a vontade de tirar o objeto do quadro se assemelha a escancarar os problemas ético-sociais.
Tira-se o quadro da parede e envolve, a quem quiser, fora do espaço delimitado. No período que surgiu o movimento era bem claro esse desejo de sair para outros espaços, os escritos de Foucault sobre educação, sexualidade e loucura, conseqüentemente, a luta anti-manicomial, a própria revolução sexual, todo esse conjunto de fatores provocou um verdadeiro turbilhão de vulcões. Não é de se estranhar que junto surgiu a tropicália, a bossa nova...
Um ponto que chamou a atenção foi o fato do Hélio incentivar o aparecimento de novos artistas e de novos públicos. A utilização do próprio corpo para a própria arte e busca. Sair do Leblon sem direção, sem pedantismo, sem elite e sim um só:
“(...) visa dar oportunidade para que apareçam estes jovens, para que se manifestem inclusive as experiências coletivas anônimas que interessam ao processo (experiências que determinaram inclusive a minha formulação do Parangolé).”
Essa visão abre portas às maiores percepções de corpo-obra-artista. Permite-se o protesto, a arte não mais uma pura construção estética e sim uma construção ética, política e social. “O que Gullar chama de participação é no fundo essa necessidade de uma participação total do poeta, do artista, do intelectual em geral, nos acontecimentos e nos problemas do mundo.” Do caralho!
É fato que do texto surgem dúvidas aliadas às dúvidas atuais: como fazer obras em série no coletivo, principalmente, nos happenings? Quantos não vão se utilizar de discursos pré-fabricados para vender? Como sair disso? Como viver?

Termino com uma última citação e quem sabe uma resposta.
“DA ADVERSIDADE VIVEMOS!”

sexta-feira, 21 de maio de 2010

*** Chamada finalizada ***
[19:12:26] *** Chamada para Leo Alves Vieira ***
[19:31:59] Leo Alves Vieira: Eu te Amo
[19:32:07] Leo Alves Vieira: ai... foi antes
[19:32:25] Leo Alves Vieira: vai inteira agora (to fazendo)

[19:44:06] Leo Alves Vieira: Eu te Amo
Minha Linda, sinto saudade dos seus peitos
Eu te Amo também
Minha Linda reclama do também porque vem depois
Eu te Amo porque não escrevo bem
Por não fazê-lo temo que você fique com outro que tem mais jeito
Eu te amo linda-delícia
Na procura de outra frase para nós
Uso o clichê porque sem um não passamos sem
Embora queira passar tudo na nossa carícia

sábado, 8 de maio de 2010

céu de suely

um paraguaio. uma madrugada. um delírio. um só.

um suspiro, fazia dez anos que a senhora não dava em cima de uma figura. e quando foi dar em cima - num botequim fulero - o paraguaio hablou: "non rola." ela saiu endiabrada, pronta a dançar o forró do zezo com qualquer um, até com O! bicheiro do beco da poeira. e num é que depois de ter ido dançar no forró, lhe aparece o paraguaio todo sorriso, dizendo que queria se aprochegar, foi impinando um pouquinho na cintura e ela percebeu o causo; era do tipo meio famosinho, com as corrente de ouro. se fazia de díficil pra poder escolher seu gado. deve de ter levado um fora.
por dentro da cachaça as coisa foram se definindo por olhar e por cheiro. depois com o tempo o cheiro se esvai e com certeza o que mais sente falta daquela noite é o cheiro, o cheiro do banheiro cheio de xixi e merda e ela toda inclinada, quase de cócoras, chupando, aquele pau de operário. não tinham tempo e depois longo a longo foram as punhetas e os desejos pelo ralo do tempo. sim, continuaram as punhetas pensando naquela meia-hora onde se tocaram, se chuparam no pescoço, na virilha e nos bagos em comum. onde se sentiram mais do que animais, se sentiram selvagens guiados por Deus.

o momento então era falado em duas línguas: aquele castellano guarany que se dizia inconhecível, iludido e ilusor. e aquela cearense perdida entre o hot e o quente de Iguatu.
Em Iguatu as mulheres tem um céu com o seu próprio nome. Suely. E sim elas gostam de fugir.

Como o paraguaio que se demora na conquista.

e como tudo que se cheira que se é fugaz no vento. se perpassa.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Mulher grávida

A mulher grávida que não tinha prazer nenhum, eram tempos morgados, sem ação e o que dizer reação. A única diferença era a barriga que inchava feito jaca.
Auxílio maternidade a permitia ver tv e se encher de junkie food, mas de ruim não engordava. Sempre que podia (sei, não poderia, mas quem tá aí? Quando só existe eu e aí?) fumava um soltinho, bebia cervejinha e vinho. Tudo sozinha. Depois que engravidara não via mais sentido em sair ou em chamar os amigos. Só que amigo que é amigo chega sem ser chamado e telefona sem ter chamada. E por rolês acabava por encontrar fulanos e fulanas. Mesmo sem ação. Mesmo sem reação.
Lá pelo quinto mês soltou-se a rir e a chorar da vida que ali vivia. A chorar porque não queria que seu bebê a visse como dependente de companhia e a rir porque só tinha mais liberdade e autonomia.
E quando chorava acabava saindo pra ver se a lua brilha mais na rua Augusta. E de fulano apresentaram sicrano.
TOTALMENTE DIFERENTE.
Vai se falando, se falando, informação sincronizando, se olha e vê...

E no entardecer da Lua quase dormia, relampejava nas pálpebras a sentença : “não é sonho, fique acordada, pra não ser sonho”. A sensação era sonho, mas seus olhos empiricamente falavam:
“seus pêlos quando lançados à proa da boa boca, provam ondas de saliva, surf de língua e afogamento de música, sopra lábios assoviando
trilhas (sonoras) de mordidas escalpeladas de estrelas”.
Ia e pedia por sexo, mas de uma voz abaixo dos joelhos saía: “não terminei”.
E dedo passeando na praia da buceta, tomando sol de útero e mergulhando nos recifes de maré cheia de virilhas e pêlos saltitantes.
O buxo de cinco meses não atrapalharia o sexo, foi o porre mermo.
Antes de amanhecer o sicrano foi-se, mas deixou um sorriso que durou a gestação não mais sozinha nem solitária. Irrompia sol, ibira puera, chá de baby, esperanças e o que faltava mesmo era gozar a vida!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

21 de dezembro de 2012

O medo e a preguiça de não querer viver mais. Aliás querer o caos e o fim declarado do mundo, tolice pra uns e medo pra outros, pra mim é mais um motivo de fuga. fuga.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

_I_

tudo o que eu acreditei quando um dia eu não tinha amigos é que bastava conhecer um pouco de cinema, literatura, um pouco de amor a aventura e sedução pelo perigo, clichê do jovem rebelde desvirtuado, do alto das minhas companias, nas quais sempre eram personagens delineados por borges, kerouacs, estrelas que falavam sozinha... sempre vi a perfeita comunhao entre amigos e liberdade. Os anos passam, o adolescente peter pan continua em voce e se sente o tal por isso. amamos nossos pais e amamos que eles flertem pagando essa desventura. o caso é que comigo casei com a liberdade, por tudo e por todos que amo. sempre acreditei que o mais importante é crer no seu ego como máquina de mudança - injustiças, segregações, merdas e afins - e quando o tempo passa vc percebe que tá na mais comum das panelinhas, pior, nas panelinhas do discurso libertário, do discurso panfleto de ordem que todos possam aproveitar a putaria e ainda fazer algo pela revolução. nunca fui de hastear a bandeira da revolução, sempre hasteei outra coisa: e nao era só e somente só pintos e sim hasteei e hasteio prazer convicto de liberdade. por mais simples e besta que possa parecer quando escrevo estou livre das tais panelinhas preconceituosas e estou convicta que meus erros são mais overdoses do que ideologias. por que tanto egoísmo então? porque quando escrevo escrevo partindo do meu ponto de vista e este todos os dias tento faze-lo de forma que provoque a tal sedução. o que sinto é uma grande epidemia de euforia, epidemia de depressão, nós os jovens não temos mais em que crer, em que acreditar, acreditamos nas drogas como forma de rebeldia, foda-se as drogas, a rebeldia tá nas pessoas! nos atos. é uma pena que eu me sinta tão desiludida. é meio desperançoso pensar que é melhor viver na euforia, nossa, veja como tudo é eufórico hoje em dia. as propagandas, os romances, as tristezas, a gozada, a queda é grande meu chapa. e quando se ve que seu emprego não é essas coisas, a namorada é mais uma bonequinha, a casa então, MAS mesmo assim continua ai fazendo o seu proprio marketing. e a minha euforia é a euforia de se fazer convicto o ato de liberdade. MAS há o medo e outras mil conclusões antropológicas. O rapaz que no amigo secreto cuspiu a cara da criança de rua que só queria abrir a embalagem não sabe o quanto ele influenciou nisto aqui, mas vejamos bem: o que nós sabemos sobre nós mesmos? o que nós fazemos pra nos conhecer? e pra saber que continuamos nesta mesma panelinha chamada interesse. o mundo explode. o samba continua no ar. percebo que hoje tenho amigos não por gostos pessoais, mas por amor, por liberdade, termos que nao precisamos conceituar e peço, que simplesmente, o vivamos.

texto que adveio após sair numa noite em Fortaleza. O grande forte dos velhos conceitos.