tec magie










texto para publicação do tecnoxamanismo



TECNOXAMANISMO

DO RITO A PRÁTICA, DO OCIO A TÉCNICA, DO AMOR AO DELÍRIO, DA FOME AO FIM.

Resumo: discurso distante do festival de tecnoxamanismo, porem um relato da viagem empreendida por um casal a Arrayal d'Ajuda (BA). Historia de um rolê que culminou em Caraíva e uma dor de barriga que fez que meu discurso (amoroso) também se chamasse Imediatamente Manga, sobre esse processo de transformação em rezadeira. Um pouco para na escrita pensar que nossa formação de vida tecnoxamã torna-se um livro-feiticeiro e uma vez tendo uma lupa para enxergar os meandros da feitiçaria-resistencia o espelho de ação e poesia.

O amor emagrece. O amor enlouquece. O amor é a perda de senso, de rumo, de prosa, de equilíbrio – é férias para um operário, é desconto para um capitalista, é gozo para a mulher vaidosa, é delírio para o louco, é promoção e emulsão de realidade – é cata, é queda, é caos.
3 linhas não sabem nada do que é o que senti por aquele homem, que em mil situações já escrevi, que sonhei em sonho-premonição-presságio – ia para uma festa e aquele sorriso me lembrava o amigo Yumê (não por acaso com um nome que se traduz em japonês por sonho).
Da cantada mais rápida do faroeste, daquele olhar que me entregou ao por quê entregaste teu coração se sabia que ia partir? Por( )que tu pirata, me entrega esta alma, assim como quem sabe do futuro? O conheci numa festa, dias depois, sexos depois, trocas culturais (antropofagia amorosa desbrava, des-ritmia, des-cansado) o levei a um congresso indígena, experimentamos ayuasca, dormimos no mato, tomei argireia nervosa, ele me fiz rir no onibus, domando como um pajé orientando as minhas viagens em uma viagem de olhar suas caretas engraçadas e me fazer gozar só de tocar no meu ouvido.
Ele me pede cinema, eu dou escrita. E agora escrevo, escrevo, dizendo o quão natural-espontâneo-orgânico foi a intensidade de um amor – mesmo que ele representando a ingenuidade perdida do romantismo europeu, que amava e declamava seu amor, que destinava sua criatividade e potencia ao Eros e ao seu oposto delirium tremens melancolia – sonhado. Sonhei com ele, me imaginei com ele, mesmo sem saber que ele viria a existir realmente. Ele é o homem dos meus sonhos (portal de abertura de vida e maturidade, renascimento, por si, por outrem, discurso político amoroso, dizendo sim é possível sonhar, sonhar com o mundo amoroso do outro lado do atlântico, revela também meu lado mais cafona, mais errado, somos ou não somos erroristas?).
Em português isso logo vira um clichê barato (e que bom que seja, assim ao menos popularizamos a nossa escrita mágica). Tomei o amor que sinto e recebo de Pierre-Emmanuel como uma presença garantida e amorosa de Afrodite, a deusa do amor da mitologia grega, estudo que dedico há três anos.
Para tornar mais sério tal crença dediquei minha monografia em filosofia ao estudo do mito amoroso de Afrodite e sua função como ficção moralizante – estética que normatiza e torna o espetáculo uma terapia, uma dança de renovação espiritual – show da Madonna é o templo da dança dos tecnocratas estéticos e é onde encontramos a libertação moral, mesmo que seja enquanto ficção ou entretenimento.
A descrição que faço não pretende fazer jus a realidade, ou ao que senti e vivenciei, aqueles tempos. Aquelas memórias são boas de sentirem como imagens distantes, em realidades possíveis de se mudar – a memória é uma ilha de edição – imaginários imaginários.
Mas aqui está uma crença da qual minha infancia ( ou a memória fantasiada daqueles tempos) intuitivamente dedicou rituais e banhos de mar na madrugada entrega de corpo nu no mar solitário e mágico de parajuru (ce). nas luas cheias de dedicar amor e infinito. Flaubert e sua deusa da lua Tânita em Cartago (Salambô).
Dedico aqui o amor a que sinto a este instante inexprimível de sagrado mistério da existência, do tempo que passa e atordoa em não parar – mesmo que nossos pensamentos e textos lineares insistam em ser fotográficos, que parem imagens – instantes salvos em download afetivo.
Um primeiro instante – impossível de não ser comentado – experiência que tivemos anteriormente no litoral norte com o poeta Adauto e sua esposa na comunidade chamada Sapiranga, incrível conexão com a natureza, com um rio e uma floresta emocionantes e ainda a conexão histórica sendo ali uma antiga rota de fuga e também quilombola. Com Adauto fiz entrevistas e inserções na sua horta, na sua trilha, na maneira como cria os 12 filhos e na relação independente com a mulher, é lindo demais! Aqui me reservo ao direito de dizer sim, podemos encontrar “beleza” como força-fé para nossa magia, Adauto nos ensina muito sobre isso, tira da casca da árvore um pó cinza que tem um cheiro afrodisíaco e ele diz: esse é o nosso perfume, me emociono, choro e apresento pra ele em troca o mel de caju bruto da minha terra icapuí no CE. Voltarei para Bahia com a certeza de que encontro amigos e uma força ancestral tranqüila e comovente por sua beleza. Deu também uma folha para proteger do mal-olhado e ensinou alguns banhos, comentou como é a luta diária para manutenção da independência daquele canto, da criação dos seus filhos, das festas, do amor, fumávamos um baseadinho solto mítico (mito demais fumar um solto em Sapiranga) e nossa conversa percorria os caminhos de volta da gruta onde índios e brancos encontravam negros praticando seu batuque, encontramos no meio do caminho uma turma fumando um, a maioria negra. Outro ritual, outro baseado, outra conversa, imagine, me enchi toda, divaguei, levei até Sócrates, a viagem ao tempo perdido, pirata desbrave comigo uma ilha desconhecida, um tempo, uma imagem, a mesma luta. Uma noite só em Sapiranga e me rende meio livro de imaginação e surpresa. Obrigada, Adauto e toda comunidade de Sapiranga.

Em Caraíva tive uma dor de barriga  (manga verde + cachaça + fome + medo) que me levou a uma febre uma noite inteira: no quarto em que ficamos – hospedes de um carioca e um italiano gente boa – havia um quadro de um rosto indígena : aquele rosto me marcou como um olhar atravessamento uma viagem ao tempo que não reconhecerei mais: o dos índios.

Ao mesmo tempo que reconheço em meus familiares – mesmo catequisados e de influencia franciscana da teologia da libertação e politizados –  encontro traços índio, mouro, árabe em minha família, índios que em seu oficio de vender colares e outras lembranças me recordavam a mim mesma e a minha avó (referência mais ancestral de uma identidade indígena). Comprei um para mim e outro para PE – os outros clichês como a fita da baía de todos os santos e esses colares praticamente nos casaram em afetos (mesmo q ele tão distante, me sente quando toca seu colar e sua pulseira) lembranças que piratas criam mesmo em mares diferentes se sentem, se presentificam.
A noite se passou em sonhos premonitórios : eu em sp com todas as drogas do mundo a mão e eu dizendo não.
Renascimento.
Aqui deixo Pierre de lado em sonhos e passo efetivamente a escrever sobre o tecnoxamanismo:
N'outro dia passei em cama completamente imersa em descansar do furor que foi os ultimos meses: buenos aires – leo – pierre emmanuel. A noite tive febre e para curá-la a provoquei maior com uns cobertores, suei, suei, suei entre delírios e constatações racionais de superação, suei, ria, delirava, suei, suei, até que meu corpo frio me banhou e senti aos poucos a energia voltar e por boldo a cura, fiz um banho em agradecimento – ai a operação deixou de tornar-se puramente estética - como há anos faço em performance e apresentações acadêmicas - e passou a ser ritualistica-mágica, um processo de feitiçaria, que começou na praia de Picos (ce), como exercícios de meditação e transe, tendo em Caraíva como o momento da cura, o banho não de embelezamento, mas proteção e comunicação com o si mesmo animalesco (daìmon).
A mudança foi visível (racional) como na Bahia em São Paulo o cafuçu q é a mistura do negro com o índio também se mostrou forte. Na casa de amigo Berimba de Jesus achei uma guia, secretamente roubei e coloquei no pescoço, no pequeno altar (com umas velas e uma imagem com um homem de terno e gravata vermelha e preta) dediquei minhas homenagens venusianas e considerei aquilo um fechar o corpo (mais um dos que tantos fazemos diariamente). Acender velas, orar em silencio, fazer passes e massagens passou a ser cotidiano, um cotidiano mágico. Encontro com a periferia paulistana, jogo do Brasil e Alemanha. Sinestesia com a quantidade de bombas quase efeito de guerra.
No Rio a primeira coisa que fiz foi defumar a casa e fazer xarope caseiro para minha bronquite alérgica (que piora no inverno).
O estudo xamânico é da ordem do corpo e vida dedicados, aos poucos a força que me fez autocurar provoca autocura em outros – historias emocionais pululam quando espiritualmente você tá tranquilo, de boa, as pessoas angustiadas, tomadas pela pulsão de morte, competitividade, impotencia (o velho autoajuda que vira autoboicote). Afinal mundo ocidental você não permite supertiociosidades e entope tua sociedade com doenças e ansiedade. Ou melhor, como Borges, nós respondemos: “o amor que provoca magias inúteis”.
Resposta: o mundo oriental xamanico que incorpora o tecno ocidental : o amor tranquilo da vida que é mistério e produção de realidade-afeto.

Não posso deixar de terminar este texto sem antes avisar aos navegantes-leitores-piratas-magos que a realidade é a máxima magia que podemos controlar, que demanda um processo e um processo e um outro processo... Assim começa uma (viagem) quando já está acabando a outra.
Outro detalhe é que os magos que auxiliaram na criação desta persona-feitiçeira que vos fala são tão importantes quanto a vida em si. Magos amigos com pequenos toques, doses, brindes, salvam, salvam do nosso próprio autoboicote. Saber dar atenção e carinho ao outro. Questão de alteridade. Dizem que é porque sou peixes com lua em câncer, mas é o ascendente em capricórnio que aqui escreve.
Xamanismo tecnológico é viver sem a lei de gerson (da vantagem), sem uma hierarquia do humano com a natureza, é viver com a escuta do indizível, do mistério e da intuição do acaso, aqueles apontamentos que Sócrates chamava de daìmon (voz) que indicavam somente o que não fazer. É respeitar enquanto xamã que tudo é sagrado, que mesmo sendo tudo sagrado tem seu tempo (e sua profanação) próprio(a), o casaco que se perde leva ao mundo um pouco da tua energia, o amigo que se encontra por acaso naquela esquina é o resultado de um desejo já invocado, o lixo que se recicla se homenageia, se oferta, se amplifica o amor dado à deusa, etc. é o ciclo, modo de ver/sentir o tempo oriental, movimento, devir.
Por isso aqui me autodenomino rezadeira. Porque da reza se invoca o desejo, da reza se amplifica o que se quer enquanto mundo idealizado: se amplifica a voz da política singularista, ou como Belaño diria, real-visceralista! Sou rezadeira, pratico banhos, falo de mito e desejo em grego no teu ouvido, até catarsiar, em queda você vai sentir uma vibração e esta vibração é que Lygia Clark e Espinoza trabalharam: vibração por uma potencia de vida, por uma coordenação da nossa relação com outro e com o mundo (natura). E Espinoza fala tudo é deus e deus é um, somos todos parte dessa mesma energia que se manifesta por vezes em singulares telepatias...este texto no limite do error acadêmico em sua sincera confissão.

Acompanhantes do mundo imaginário da Raísa-rezadeira: Jodorowsky, Moebius, Marcel Mauss (esboço de uma teoria da magia), Giordano Bruno, Platão (Fedro e o Banquete), Espinoza, Flaubert, Arturo Belano e Ulysses lima.
DESCRIÇÃO DOS RITOS

Trilhas sonoras recentes:

Velvet Underground

Third Ear Band

MIA

Mutantes

Todo processo é um rito de construção da sua ficção amorosa, da sua magia de força energética, desde a minha macumba grega ao gesto da cruz só funciona se tiver conexão.

Existe na filosofia um caminho de libertação do mundo ocidental para que o corpo possa efetivamente conectar com a natureza como, por exemplo, a superação da culpa cristã, da hierarquia entre o diferente e o igual, entre o de cima e o de baixo, entre luta de classes, entre impulso de prazer instantâneo do corpo e desejo intelectual, do humano demasiado humano, da polis, entre experiência de mistério e de consciência da participação singular que é a existência no universo.

ÚLTIMO RITO
A vassoura, o headphone, roupas para doar, as ervas utilizadas no xarope, algumas embalagens de chocolate. Deixado numa árvore que costuma ter alguns trabalhos – uma arvore é sinal de conexão com o mundo indígena. Deixei lá e agradeci, olhei para arvore e concordei que o que acredito me emociona e vice-versa (asseguro esse espaço aqui como funcional para os coxinhas de plantão também entenderem que isso na perspectiva deles é “terapêutico”, tecnocratas não entendem as ações e os gestos senão forem por esse viés pragmático).

Fiz a confissão dos caminhos, pensei, regulei meu delírio em sentir em sentir, prever mais um tempo o instante do agora, prever, prever, relaxar, respirar, agradeci mais uma vez conseguir sem a halopatia. Agradecer o retorno da natureza e, como diria Aristóteles, o clima afortunado que a deusa que acredito se apresenta: Afrodite ou Attana (Moebius – Jardim de Edena).

Tirei uma foto e continuei meu caminho até o trabalho.

  •         Ações de purificação – NÃO SÃO RECEITAS, SÃO DESCRIÇÕES DO RITO, até porque eu não levo receitas a risca, vou criando e recriando situações de real e reza:
Defumar a casa com a fumaça das ervas – hortelã, eucalipto, entre outras bronquiodilatadoras.
Banhos de Proteção:
Do pescoço pra baixo passando pelo corpo todo Arruda;
Se tiver com alguma dor (de qualquer natureza) acrescentar sal grosso
Embelezamento:
Esquentar o corpo com as palmas da mão; passar um hidratante por todo o corpo, invocando nas palavras o que deseja fazer: agradecer, pedir, homenagear (sabendo que todas ações tem suas balanças próprias e o nome pessoal carrega um peso), por isso rancor, ódio e vingança só podem ter um efeito contrário – desejar o mal, receber o mal – prefiro acreditar em outras ficções, mais harmoniosas e tranquilas, tendência para o mundo oriental:
Prática da ginástica chinesa (http://www.youtube.com/playlist?list=PLIm-P2rXBQrr31hBkEpdkcowYyCBZxjL6) como balanceamento das emoções e da circulação de energia pelo corpo. Sinto cada vez mais a necessidade de fazer todo dia, pelo simples tempo que demanda para cuidar do corpo, sentir ele estralando, suas articulações, músculos esticando e de novo realidade que me espanta, ossos que estralam e me dão uma onda... (hehe prática junkie de sentir onda em tudo).
Também ao realizar atos do cotidiano se pode invocar as palavras que são importantes pela pessoa: ao lavar a louça, agradecer a água que não finda, a limpeza que te permite não adoecer, proteger a quem tu ama, rezar, meu amigo, rezar.
Cozinharevolucionar: usar uma cobaia aqui é permitido, quando vais fazer uma receita, dedica aqui máxima importância, porque a comida que vais passar ao amigo-acompanhante que experimentará poderá ter por efeitos opostos dependendo da índole, do jeito, do estilo... se quer conquistar e for da preferencia pimenta! Vinho porque em vino veritas. Pimenta com doce é estilo. Cozinhar é um ato revolucionário por sua natureza (ousia, essência, onto). Conversar é maneiro. Converser, conhecer, contribuir, camaradear, entre outras imersões, ser pirata, gostar do efeito subversivo que provoca, que geme, o ponto alto é quando as pessoas experimentam e ficam nossa raísa… que tesão! enfim… cozinhar é mais realista ao ponto q nem sei o que dizer, só comendo do meu risotto (assegurando uma realida ainda mais concreta a palavra), coisa que só a magia consegue com a linguagem (levar ao extase, catarse, gozo).
Exemplo magnífico de magia culinária foi em Salvador na casa de um amigo Santiago Cao. Fiz uma moqueca de arraia com carne de caju decorado com mel bruto. Pire aí companheiros! Choro só de lembrar.
Se quer acalmar se quer agitar tudo isso é um conhecimento de tempo e muitos segredos: minha especialidade: risotto de camarão, mas faço de tudo, suco, sopa, carne, vegetariana (prefiro até mais hoje em dia comida vegana, foi natural de repente me senti meio enjoada com o peso da massa do excesso de carboidrato q a sociedade acredita ser o saudável, muita energia e pouco bom senso, pouco jejum).
Jejum é uma prática que limpa e purifica, importante passar por um jejum de vez em quando...
Dar um significado mágico aos objetos do cotidiano: a chave que tem uma pulseira dada por uma amiga argentina no congresso indígena, o rapé com sálvia que limpa o pulmão antes de começar a estudar junto com a amiga Cássia em sua casa onde podemos dançar e ficar nuas (sabbath).
Olhar a lua e se deixar perder pela contemplação...
se masturbar (até que o gozo torne-se uma ligação entre vc e aquilo que vc homenageia, no caso aqui, afrodite)
a arte do grito

Se o discurso pode caminhar para uma interlocução entre o pensamento racional e o político, com a sua ação prática, cotidiana, por sua vez, mesmo que ainda dissociada de sua emoção patética, o discurso também pode ser oriundo das manías que levam ao delírio poético, baquico, erótico e filosófico com sua realidade divina em êxtase. (as quatro loucuras – fedro).

Sobre a dança uma ultima e ingênua descoberta: estudo a influencia da mitologia grega no cotidiano e o mais visível que me aparece agora – que se manifesta tal qual seus deuses – é que o ocidente trata suas dores dançando. O que é a musica pop senão uma esquizoterapia? Onde as pessoas dançam, dancem seus macacos, dancem!
O ocidente trata suas ansiedades dançando e foi dançando que senti um estalo conceitual – xamânico aqui – dançando MIA, uma gata poderosa, cheguei a essa interpretação de como as pessoas conseguem sobreviver sem magia – dançando musica pop e cinema choroso dramático, novela – dançando musica pop, ritual dos mais tribais – aqui tomo a palavra primitivo como ancestral, com o todo seu poder, a influencia de nossos antepassados é importante; minha bisavó tatuada, minha avó – católica sem saber índia – e minha mãe que estudou filosofia e nutre uma técnica de vida que permita um tempo dedicado a putaria, ao amor e a polis (professora de escola pública).
Pois bem, nação de mulheres (aqui me refiro a outros textos mais na linha analise de desejo feminino, analisando personas femininas atuais, MIA aqui no caso), a dança é uma terapia, técnica de exorcismo da impotência, choro de suor, grito de gemido, a dança minhas gurias queridas é nosso meio de se libertar da culpa cristã                                                                                                (sem medo).
Sinto que falo o óbvio, mas invoco aqui o poder da dança como um dos elementos criadores de vida.
A arte do grito.
A arte do coro.
A arte do gozo.
Agradeço especialmente a Fabi Borges e George Sander
Raísa Inocêncio
18/09/14












TEXTOS SOBRE A PESQUISA PARA A PERFORMANCE ALICE:


Banho
(ou nesse curso de pensar este texto muitas vezes confundi com a palavra sonho)
Tecnoxamanismo em Banhos


Este esquema começa no mar e na contemplação do mar. E mesmo com toda referência teórica e mesmo o riso não é páreo para a força que sinto do mistério. Do espanto ao ver e sentir, seja do mar ou da vida-morte natura (natureza) que nos cerca, como o espanto perante a consciência do consciente – existir em demasiado...
Uma dança se forma entre estas imagens do espanto e o jogo entre o conceito e o cotidiano. Dança que me parece ser o caminho para chegar à pesquisa do banho. Atente.
O banho é aquele que limpa, que preserva que seduz e ama. Mesmo para os céticos corporais que não vêem as coisas senão com seus usos: banho para lazer, para limpeza, para beleza. O banho é uma maneira de se conectar com os mistérios, em questões de espírito e mundo divino. O banho imaterialmente ou concretamente representa renascimento.
Explicarei a realidade e o trampo que nascem disso. A ideia de um rito performático começa com Alice[1], cena onde uma mulher destila seus erotismos a lavar roupas com elementos fantásticos (glitter, cinema, vinho e pérolas) de uma puta retirante em constante fuga de si mesma. Em um descarrego da noite se mescla aos seus companheiros o gozo, o banho e a poesia decadente.
Ao lado acadêmico, dedico-me a estudar o Mito do Nascimento da Afrodite, descrito por Hesíodo e cuja influência fundamenta a imagem moralizante do amor em Platão. Afrodite Anadiomena nasce de um ato violento, a castração do pai Céu (Urano), tramada pela mãe Terra (Gaia) e filho Tempo (Crono). O escroto é jogado ao mar, donde se forma uma espuma e da espuma nasce a responsável pelas relações amorosas humanas. Seus ritos dedicam-se a banhos, óleos e perfumes. É também chamada de amiga do pênis. Seduz, engana, brinca. Anadiomena porque nasce do mar.
Como nordestina, conheço a prática das rezadeiras, que praticam banhos desde espinha de peixe que não desce, mal olhado, etc. Morando no Rio de Janeiro, entrei em contato com uma rezadeira da Umbanda chamada D. Lazinha, que me explicou sobre os banhos e práticas rituais africanas referentes à Deusa Oxum do amor e Deusa Iemanjá do mar. Mesmo pensando na crendice popular, o banho de mar (ou o banho de sal grosso) representa também uma proteção e benção.
Realizei Alice como um banho performance-rito em dezembro de 2012 na praia de Picos, fotos em anexo, (Icapuí-Ce) e também no festival urbano III Manifesta ! (Fortaleza-Ce).
 É importante frisar que as experiências sensoriais nascem do ócio-escuta, urbes e silencio não cultural. É uma homenagem e chega um instante que todo gole de sentido e vinho é uma homenagem às deusas vida e morte.
- Concentrem-se com o seu corpo e todo banho revelará a nudez em que nos encontramos. O estar nu revela mundos estranhos, éticas que um reaça analítico[2] simplesmente não enxerga, tempos e outros micro-cosmos que acalentam a dureza e a crueldade da máquina capitalista-individualista que impõem o cotidiano-real.
O instante do banho torna-se o espaço físico e objetivo para concretizações de magias oníricas.
E mesmo aqueles que não driblam o devir, que não se encaixam no sistema de produção de cognição, aos alienados e aos que esqueceram de que pensar o cotidiano é também pensar política... Pense, o ato de amor (e arte[3]) desde a performance-rito, pensamento (conceito) e cotidiano, acontece desde já e meu coração honesto e ingênuo persevera como Espinoza e sua pluralidade de potencias de vida...
- Ponha-se nu e em silêncio. Renasça em batismos, não com água sacra, é com champanhe e água do mar, que protege e nos amadurece, cria casca e ressaca. À escuta do diferente, batalhando driblar a hierarquia besta do humano...






[1] A performance nasce no II Festival IBRASOTOPE de música experimental, em 2010 (São Paulo-SP). Encomenda para os compositores Leo Alves Vieira e Marcos Campelo. Segue caminho solo apresentando-se no SESC Tijuca, MOLA (Mostra Livre de Artes do Circo Voador) e por último na Aldeia Maracanã (2013), banho dado na Raíssa Vitral. Fotos da Alice no Ibrasotope:  http://www.flickr.com/photos/ibrasotope/4932880487/in/set-72157624582591363

[2] Reacionário analítico: aqui entendido como aquele que tenta analisar tudo, sem compreender o ócio, a escuta, a contemplação, para tudo serve algo, sem padronizar, é aquele que hierarquiza e de maneira arrogante não compreende o belo do não-saber, do “viajar”, do rolê...
[3] Dedico meu corpo e energia ao ato de viver (espantado e diferente) em pensar Eros (amor) Liberdade e Política.

IMAGENS DA PERFORMANCE AFRODITE ANADYOMENA NO SERTÃO DE BRASÍLIA



































Poemas - Soundcloud


Performance no lançamento do livro Dominios do Demasiado (Fabi Borges)



Alice no MOLA (Mostra Livre de Artes - Circo Voador). 2010.



Alice na Nise da Silveira



















I Congresso Fantasia e Crítica (UFOP). Ouro Preto/MG.







Abertura da Vênus UNICAMP



video

Nenhum comentário: