sábado, 8 de maio de 2010

céu de suely

um paraguaio. uma madrugada. um delírio. um só.

um suspiro, fazia dez anos que a senhora não dava em cima de uma figura. e quando foi dar em cima - num botequim fulero - o paraguaio hablou: "non rola." ela saiu endiabrada, pronta a dançar o forró do zezo com qualquer um, até com O! bicheiro do beco da poeira. e num é que depois de ter ido dançar no forró, lhe aparece o paraguaio todo sorriso, dizendo que queria se aprochegar, foi impinando um pouquinho na cintura e ela percebeu o causo; era do tipo meio famosinho, com as corrente de ouro. se fazia de díficil pra poder escolher seu gado. deve de ter levado um fora.
por dentro da cachaça as coisa foram se definindo por olhar e por cheiro. depois com o tempo o cheiro se esvai e com certeza o que mais sente falta daquela noite é o cheiro, o cheiro do banheiro cheio de xixi e merda e ela toda inclinada, quase de cócoras, chupando, aquele pau de operário. não tinham tempo e depois longo a longo foram as punhetas e os desejos pelo ralo do tempo. sim, continuaram as punhetas pensando naquela meia-hora onde se tocaram, se chuparam no pescoço, na virilha e nos bagos em comum. onde se sentiram mais do que animais, se sentiram selvagens guiados por Deus.

o momento então era falado em duas línguas: aquele castellano guarany que se dizia inconhecível, iludido e ilusor. e aquela cearense perdida entre o hot e o quente de Iguatu.
Em Iguatu as mulheres tem um céu com o seu próprio nome. Suely. E sim elas gostam de fugir.

Como o paraguaio que se demora na conquista.

e como tudo que se cheira que se é fugaz no vento. se perpassa.

2 comentários:

-B. disse...

Valeu, raísa. Dias de tédio ou noites pesadas? rs

maybe disse...

I'm appreciate your writing style.Please keep on working hard.^^